Decisão do STF sobre IPI anima concessionárias
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Luciano Augusto e Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Foi muito bem recebida pelas concessionárias de Londrina a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender ontem a cobrança imediata do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados, instituída por decreto presidencial 7567, de 15 de setembro de 2011. Segundo os ministros, o governo deveria ter determinado que a alta só deveria valer a partir de 15 de dezembro, noventa dias da publicação do decreto, seguindo o que determina a Constituição Federal. Os ministros também decidiram dar efeito retroativo à suspensão.
Pelo decreto, as montadoras que não tiverem 65% de conteúdo nacional em seus automóveis e caminhões, entre outras exigências, estarão sujeitas a pagar IPI 30% maior.
O gerente da Caoa Hyundai, Samir Hillal, disse que mesmo tendo havido uma corrida às compras logo após a entrada em vigor do decreto, o aumento não chegou a ser praticado porque a concessionária trabalha com estoque elevado. Por outro lado, as compras foram suspensas. Sobre a decisão do STF, ele considerou que foi importante por ter feito prevalecer a justiça. ''Se existe uma lei, ela tem que ser cumprida. Essa decisão beneficia o cliente, porque volta dar um direito que o consumidor já tinha'', comentou. Tanto é que a concessionária já reprograma compras para atender a demanda de final de ano.
Para Hillal, em vez de onerar quem trabalha com importados no País, o Governo deveria dar incentivos as montadoras que estão no País. ''Elevando o IPI, o Governo tirou a opção de compra do consumidor brasileiro'', argumentou.
A Divesa - concessionária Mercedes Benz, Jeep, Chrysler e Dodge - informou que algumas marcas não repassaram o aumento do IPI neste período enquanto outras acabaram segurando os carros no porto, na expectativa que uma decisão, como a tomada ontem pelo STF, pudesse acontecer. A expectativa agora é que o cenário de vendas volte a melhorar, pelo menos até o dia 15 de dezembro.
Já Marcelo Pinheiro, gerente da Drako Auto Box, concessionária Towner e Topic, comenta que o aumento do IPI havia feito suas vendas caírem drasticamente, por volta de 60% em apenas um mês. ''No início do mês de agosto, tínhamos vendidos no início do mês 30 carros. Já em setembro, quando o aumento do IPI começou a vigorar, comercializamos 7 carros no começo do mês''. Agora, a expectativa de Pinheiro é voltar a trabalhar com os preços antigos o mais rápido possível. ''Temos que tentar recuperar o tempo perdido'', conclui.
Na BMW Euroimport, o executivo de vendas Luiz Noivo, reforçou que o período em que vigorou o IPI elevado ''foi de paradeira total''. ''Sobrevivemos com o estoque que tínhamos'', destacou. Noivo disse que só há alguns dias, a montadora repassou tabela nova, ''sacrificando sua margem de lucro''. ''Agora vai mudar para melhor e a ideia é pedirmos tudo que tivermos condições'', afirmou, prevendo o reaquecimento do mercado até o final do ano. ''Pretendemos fechar o ano com as estimativas que tínhamos antes do aumento'', concluiu. O Ministério da Fazenda informou, através de nota, que não iria se pronunciar sobre a decisão tomada pelo STF.


