Decisão do Senado deve estimular biotecnologia
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Célia Guerra<br> Equipe da Folha 
San Miguel de Tucuman - O Senado aprovou nesta semana medida provisória - que ainda depende da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar lei - facilitando a liberação comercial de transgênicos, com redução do quórum necessário para isso na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A decisão foi bem recebida pelos diretores da Monsanto. A multinacional que se destaca mundialmente nessa linha de pesquisas, prefere esperar a decisão final do presidente Lula para se pronunciar oficialmente.
Para o diretor de comunicação da empresa Lúcio Pedro Mocsany, a posiçao do Senado serve como um motivador para novas pesquisas. ''Além de mais agilidade na liberação dos projetos, as novas regras melhoram as possibilidades de aprovações comerciais e retorno dos investimentos'', destacou.
Para a empresa, a aprovação mostra ainda uma sintonia com o recente anúncio do presidente Lula de investimentos em biotecnolgia na ordem de US$ 10 milhões para os próximos 10 anos.
Esta semana, a Monsanto levou um grupo de sete jornalistas brasileiros para a Argentina. O objetivo foi mostrar os experimentos de campo com o milho BT (resistente a insetos praga), bem como a experiência de produtores com com o cultivo do grão. Naquele país, o cultivo comercial de transgênicos foi liberado em 1996, para a soja Roundup Round (RR). Para o milho, em 1999 houve a liberação do cultivo do BT e, mais recentemente, em 2004, houve a autorização para o milho RR. A área do grão em todo o País é de 3,1 milhoes de hectares - 70% dela com transgênico.
A demanda por sementes, asseguram, é crescente o que comprova a eficiência da tecnologia. Como é o caso do produtor Aldo Capuano, 32 anos, de San Miguel de Tucuman, norte da Argentina. Na propriedade de 900 hectares só existem plantas transgênicas - 700 ha com soja RR e 200 ha com milho BT. Ele anuncia para o próximo ano um aumento de 100 hectares na área de milho. ''É só plantar e sair de férias'', brinca.
A província está na mesma altitude que o Paraná (600 metros acima do nível do mar) e com isso, há também semelhanças no clima e no tipo de pragas. A pior delas a lagarta do cartucho. ''Com o milho BT não é preciso uma única aplicação de veneno'', garante o produtor argentino. Ele cita um experimento realizado na propriedade na safra 2004/05, onde destinou 140 hectares para o milho, sendo 100 de transgênico e 40ha convencional. O resultado foi de 8.200kg/ha de milho BT sem aplicaçoes de defensivos contra 6.800kg/ha de convencional com duas aplicações de veneno.
Capuano lembra que o custo de produção se assemelha (US$ 215/ha), pois a semente transgênica é até 40% mais cara. ''A lucratividade se supera com a maior produtividade'', comemora. Por enquanto o produtor nao demonstra interesse no milho RR, pois o controle do mato, como afirma não lhe tira o sono. ''Há produtos eficientes no mercado sem grandes interferências no custo de produção'', resume. A Monsanto já possui uma nova varidade de milho que traz as duas características - BT e RR, cujo cultivo espera a aprovação do governo argentino.
Capuano não enfrenta qualquer dificuldade na comercialização do produto. ''Não houve redução nem mesmo dos roubos de espigas verdes na lavoura'', brinca. Uma conceiturada empresa de produtos alimentícios da Argentina - com muitos deles nas gôndolas dos supermercados brasileiros - é apontada pelo produtor como a principal compradora do milho transgênico.
Nao é preciso ser especialista no assunto para ver a sa© úde da lavoura: folhas e espigas inteiras. O ataque das lagartas além de ameaçar a produtividade da lavoura oferecem risco à saúde de homens e animais que se alimentam dos grãos ou dos produtos produzidos por eles. Os furos das lagartas na espiga e nos grãos abrem portas para fungos responsáveis pela produção de micotoxinas. Essas substâncias são altamente nocivas e até cancerígenas.


