Decisão do Nafta derruba preço do boi no mercado interno
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
O preço da carne bovina caiu R$ 2,00/arroba ontem no Rio de Janeiro, um dos únicos mercados a fazer negócios no primeiro dia útil após o anúncio da decisão do Canadá, Estados Unidos e México de suspender a importação da carne brasileira. O preço da arroba baixou de R$ 40,00 para R$ 38,00. Segundo especialistas, a retração deve ocorrer nas próximas horas em outros Estados.
A decisão americana foi divulgada na última sexta-feira e teve repercussão imediata no mercado brasileiro. Ontem, a maioria dos frigoríficos exportadores não comprou gado, transferindo os abates para amanhã.
O diretor técnico da FNP Consultoria, José Vicente Ferraz, disse que os telefones da empresa não pararam de tocar ontem. Os pecuaristas estão sem rumo, afirmou. A FNP, sediada em São Paulo, é especializada em administração e economia rural e presta consultoria para 1,2 mil pecuaristas e empresas do País.
Ferraz espera que o governo brasileiro consiga reverter a decisão americana nesta semana. Se esta situação se prolongar para a semana que vem deve haver grandes prejuízos financeiros para pecuaristas e frigoríficos exportadores, afirmou. Ele disse que ainda não tem condições de dimensionar os prejuízos no setor. No ano passado, o País exportou 500 mil toneladas de carne bovina, que equivaleram a US$ 755 milhões.
Mesmo que os americanos voltem atrás a imagem do Brasil ficará arranhada. Neste ano, prevíamos um aumento de exportação para US$ 900 milhões, mas por irresponsabilidade do Ministério da Agricultura, que não prestou as informações solicitadas, isso não vai ocorrer, disse Ferraz. Ele acredita que, por causa do desgaste da imagem da carne brasileira, o preço no mercado internacional deva diminuir. Hoje, a tonelada da carne industrializada custa cerca de US$ 1 mil e, a tonelada do produto in natura, cerca de US$ 2 mil.
Caso os Estados Unidos mantenham a decisão de não importar e ainda optem por recolher a carne brasileira do mercado o problema será ainda mais grave, segundo Ferraz. Como os americanos são uma referência mundial, outros países podem tomar as mesmas medidas. Além disso, poderá haver pânico entre os consumidores brasileiros, fazendo com que o preço baixe também no mercado interno, apontou.
Ferraz acredita que, para não se colocar sob suspeita, a Argentina e o Uruguai, que exportam carne bovina para os Estados Unidos, também devem deixar de comprar o produto brasileiro.


