O grupo Philip Morris aguarda para o prazo máximo de um mês o anúncio da desregulamentação do mercado nacional de cigarros, situação que tornaria a empresa mais competitiva frente aos concorrentes. Com base no que for definido pelo governo federal, a segunda maior fabricante de cigarros no País define o destino da fábrica de cigarros instalada em Curitiba. A Philip Morris tem intenção de transferir para o Paraná a produção dos refrescos Tang, mas isso só vai se concretizar se o governo federal der condições de competitividade para a empresa, avisa a diretoria.
A Philip Morris alega que o governo federal impôs muitas regras e normas que inviabilizaram a competição. ‘‘A forte regulamentação do setor só beneficia quem controla o mercado’’, afirmou o vice-presidente para Assuntos Corporativos e Jurídicos da Philip Morris, Clodoaldo Celentano. A Souza Cruz detém 80% do mercado consumidor contra 15% da Philip Morris.
Celentano afirmou que a manutenção dos investimentos no País depende do comportamento do segmento de cigarros. ‘‘Se não houver a desregulamentação, não há como continuar a investir no setor de alimentos’’, afirmou o vice-presidente.
Entre as medidas que podem ser adotadas pelo governo federal para desregulamentar o setor de cigarros, está uma redução na carga tributária, que hoje representa 73,5% do preço final de um cigarro. Outra medida seria liberar algumas faixas de preços e de classificação de cigarros. Desde dezembro de 1997, quando começou a reduzir o volume de exportação, a Philip Morris tem pressionado o governo para tornar mais flexíveis as vendas dentro do País.
‘‘Enquanto exportávamos a maioria da nossa produção, o prejuízo no mercado interno não era tão evidente. Mas agora, não podemos continuar assim’’, afirmou Celentano. Ele citou ainda o contrabando de cigarros como o segundo maior empecilho para se trabalhar no Brasil. No ano passado, as fábricas produziram 92 bilhões de unidades de cigarros, enquanto o consumo estimado foi de 140 bilhões, o que dá um comércio ilegal de 55% sobre o total.
Os números negativos na Philip Morris fizeram com que a empresa fechasse a unidade de Curitiba e demitisse metade dos 2 mil funcionários. Hoje, termina o prazo para os empregados aderirem ao plano de demissão voluntária aberto no início do mês pela direção da empresa. O programa conta com a adesão em massa dos quase mil funcionários que trabalham na fábrica da Cidade Industrial de Curitiba. O último balanço feito pela empresa indicava que mais da metade dos trabalhadores decidiu pedir demissão.Leandro TaquesMercado controladoClodoaldo Celentano, vice-presidente de assuntos corporativos da Philip Morris: regras demaisCarmem Murara

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