Curitiba - A redução de 0,5 ponto percentual do juro básico da economia - a taxa Selic - deve trazer efeitos positivos tanto para a macroeconomia como para o consumidor. O economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, explicou que os efeitos do corte demoram de seis a oito meses para repercutirem na economia real.
Ele acredita que a diminuição da Selic, anunciada na última quarta-feira, será positiva para estimular novos investimentos na indústria. ''O que interessa é preservar o dinamismo do mercado interno e a redução da taxa de juros é uma ferramenta para preservar isso'', disse. No entanto, ele destacou que, apesar da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de realizar o corte de 12% para 11,5% ao ano, os juros ainda continuam altos no Brasil.
O professor de Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Dória Scatolin, disse que a decisão do BC foi acertada. ''Com a redução dos juros, os outros países não veem tanto o Brasil como um paraíso para especulação'', explicou.
Segundo ele, a grande preocupação ainda é com a inflação que está extremamente alta. ''Na medida que o governo abaixa os juros, a inflação cai mais lentamente'', comentou. Para compensar isso, seria necessário ter uma política fiscal mais rígida.
Scatolin prevê que, até o final do ano, o consumidor comece a sentir o efeito do corte nos juros, principalmente, no crédito direto ao consumidor. No entanto, lembrou que a velocidade de redução para o consumidor sempre é mais lenta.
No geral, ele classificou como positiva a decisão do BC e acredita que ocorram mais um ou dois cortes ainda neste ano. Para novembro, o mercado já estima uma redução de 0,5 ponto percentual, mas o comportamento da inflação pode ser determinante para bater o martelo na próxima reunião do Copom.
De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a redução dos juros deve trazer algum efeito para as operações de crédito. De acordo com um estudo realizado pela entidade, a taxa média de juros para o consumidor deve cair de 6,69% ao mês para 6,65% e, ao ano, de 117,39% para 116,41%.

Imagem ilustrativa da imagem Decisão do Copom terá efeito para consumidor