A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros (Selic) deve alterar muito pouco a vida do brasileiro. Embora a sociedade torça pela queda, a previsão de especialistas é de que a taxa permaneça nos mesmos 26,5% e, no máximo, caia meio ponto percentual.
Para Renato Pianowski de Moraes, professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a inflação e o câmbio do dólar ainda inspiram cuidados. ''Se houver uma redução, ela será ínfima. Talvez, o governo acrescente um viés de baixa'', opinou.
Segundo Francisco de Assis Simões, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, a manutenção da alta taxa de juros faz parte de uma estratégia para controle dos preços. Conforme a teoria ortodoxa da economia, quanto menor for a procura, maior é a oferta e, consequentemente, menores serão os preços. ''O empresário nacional é descapitalizado e frequentemente recorre aos bancos em busca de empréstimo. Se a taxa de juro estiver alta, o custo se eleva e as vendas caem. É uma lei natural do mercado'', explicou.
Na opinião de Simões, esse caminho é válido na teoria, mas na prática hoje a situação é um pouco diferente. Isto porque o consumidor está mais atento e não cede facilmente aos apelos publicitários. ''Falo isso com base no depoimento de vários empresários para quem dou assessoria'', argumentou. De acordo com ele, 70% da população não compra antes de comparar o preço à vista com a soma das parcelas. Nesse ponto, Pianowski pensa diferente. O professor afirma que, apesar da experiência em crise econômica, o brasileiro ainda não se acostumou a identificar o peso do juro em sua vida.
Sérgio Zambiazzi, gerente da agência Londrina-Centro do Bradesco, também não está muito otimista com a reunião do Copom e acha que se houver uma redução ela terá apenas um efeito psicológico. ''Ajudaria a sustentar a credibilidade do governo e a esperança dos investidores'', finalizou Simões.

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