BRASÍLIA - As instituições financeiras vão direcionar um volume menor de recursos para o financiamento habitacional. O Conselho Monetário Nacional (CMN) modificou ontem a base de cálculo dos bancos para definir o volume de dinheiro que, obrigatoriamente, devem aplicar nas operações de crédito imobiliário. Trata-se de uma medida técnica, mas com impacto imediato no volume de recursos para financiamento habitacional.
Os bancos passam a calcular o volume de dinheiro disponível para o crédito imobiliário com base na variação dos últimos 12 meses dos depósitos em poupança, e não dos últimos seis meses, como previa a legislação modificada pelo CMN. O CMN manteve, porém, a obrigatoriedade de que 70% da variação destes depósitos sejam direcionados ao crédito habitacional.
A decisão altera o volume de recursos porque, ao ampliar de seis para 12 meses a base de cálculo, passa a incorporar um período de quedas sucessivas nos depósitos em cadernetas de poupança. Ao longo do ano passado, a recuperação dos depósitos em poupança só ocorreu nos meses de novembro e dezembro.
Redutor O Conselho Monetário também decidiu manter inalterado até o próximo mês os critérios para definição do valor da Taxa Referencial. Segundo o diretor de política monetária e econômica do BC, Francisco Lopes, os estudos não foram concluídos a tempo e, por isso, se manteve o mesmo critério para definição do redutor da TR para outubro, que será de 1,0095.
Ele comentou, no entanto, que sua equipe continua analisando fórmulas alternativas para evitar que a TR seja anunciada com seis meses de antecedência, limitando a margem de manobra do governo na definição da variação das taxas de juros. O CMN também aprovou o balanço do BC, no ano passado, quando o banco fechou com um prejuízo de R$ 167,7 milhões.

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