Decisão do Chile deve dominar as discussões
A relação do Chile com o Mercosul, depois que Santiago anunciou a negociação de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, será o tema dominante da reunião do Conselho do Mercado Comum, que começa hoje, em Florianópolis. A decisão chilena, na avaliação de analistas, teve impacto muito mais político do que econômico sobre o Mercosul, em especial sobre o Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, já admitiu que, em termos de balança comercial, o Chile não tem peso significativo para o País.
Do ponto de vista político, entretanto, as negociações entre Chile e Estados Unidos podem enfraquecer a estratégia de política externa brasileira de liderar um processo de fortalecimento e expansão do Mercosul para negociar a Alca. Em artigo publicado na Carta Internacional, o ex-embaixador Luiz A. P. Souto Maior afirma que nenhum país latino-americano teria condições, sozinho, de negociar termos mais palatáveis de adesão ou, muito menos, de se opor ao projeto de Washington para a Alca.
Para o chefe do Departamento Econômico da Chancelaria do Brasil, José Alfredo Graça Lima, as negociações iniciadas pelo Chile com os Estados Unidos não ameaçam, de nenhum ponto de vista, a unidade do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, mais Chile e Bolívia como associados). (Das Agências)





