Brasília A queda dos juros deve proporcionar economia de cerca de R$ 3,5 bilhões para o governo. Esse é o valor que deixará de ser gasto com os juros da dívida pública nos próximos 12 meses caso a taxa Selic seja mantida em 19% ao ano no período.
Dados do Tesouro Nacional mostram que, no final do mês passado, havia R$ 707,7 bilhões em títulos da dívida pública em circulação no mercado. Desse total, R$ 351,95 bilhões ou 45,9% são corrigidos pela taxa Selic. Por isso, quanto mais elevada a Selic, maiores os gastos com juros.
Os juros pagos na dívida pública e a emissão líquida de títulos em setembro foram os motivos da alta de 1,7% em relação a agosto, segundo os dados do Tesouro Nacional. Pelos dados, a parcela da dívida com correção cambial, que correspondia a 28,10% do total em agosto, caiu para 26,48% no mês passado e deverá chegar a 24,5% neste mês, segundo projeção do governo.
Entre janeiro e agosto, os gastos com juros da dívida do setor público (União, Estados, municípios e estatais) chegaram a R$ 102,4 bilhões. A maior parte do endividamento de Estados e municípios, porém, é corrigida por índices de inflação, conforme previsto nos contratos de renegociação firmados com a União.
Quando os gastos com juros aumentam, o governo aumenta o ajuste fiscal, elevando impostos ou cortando despesas. Neste ano, o setor público tem como meta economizar cerca de R$ 68 bilhões para o pagamento de juros. Esse valor equivale a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), total de riquezas produzida pelo país).
O coordenador-geral da dívida pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, disse que a emissão líquida de títulos (descontado aqueles emitidos para rolagem da dívida), no valor de R$ 11,4 bilhões em títulos prefixados, foi responsável por uma alta de R$ 2,3 bilhões no endividamento.
De agosto para setembro, a participação dos títulos prefixados no total da dívida passou de 7,4% para 9%. Para Valle, o governo está conseguindo aumentar a participação dos papéis prefixados e dos títulos atrelados a índice de preços no estoque da dívida, além da redução da participação de títulos cambiais e pós-fixados.
''No ano passado não conseguimos cumprir as metas, mas, neste ano, temos observado uma recuperação rápida devido ao grande decréscimo da taxa cambial'', disse. Se a dívida com correção cambial ficar, em outubro, em 24,5% do total, como previsto, será a menor proporção desde março de 2001, quando estava em 24,07%.

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