Decisão deixa setor produtivo otimista
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terça-feira, 22 de novembro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com a manutenção do embargo à carne do Paraná pelo governo de Israel, o setor produtivo do Estado esboça certo otimismo em relação à possibilidade de retomar as exportações. A suspeita de foco de febre aftosa em propriedades paranaenses comprometeu cerca de 70% das vendas de carne bovina no mercado externo, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados (Sindicarne). Mas a eventual não confirmação da doença e consequente reabertura do mercado internacional são vistas como fatos eminentes.
Para o economista do Sindicarne, Gustavo Fanaya, o fato de Israel ter suspendido o embargo é um bom sinal, uma vez que o país é bastante rígido em relação à vigilância sanitária. ''Isso já demonstra que estamos saindo do fundo do poço, pois a tendência é que mais países comecem a flexibilizar (os embargos)'', avaliou.
Israel foi o primeiro entre 49 países a suspender o embargo às carnes brasileiras, em vigor desde o início de outubro, mas manteve a restrição aos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. De acordo com números do Sindicarne, Israel compra cerca de 25 toneladas/mês de carne bovina do Paraná ou perto de US$ 42 mil, o que corresponde a aproximadamente 1% do total exportado.
A maior expectativa dos produtores, segundo Fanaya, é com o fim dos embargos pelos países da União Européia (UE), pois são os compradores mais expressivos em termos de faturamento: cerca de 50% do total e o segundo em volume (25%). O economista explica que são países que compram carne desossada de primeira, cujo valor médio é de US$ 5,00 o quilo.
Fanaya afirmou que os frigoríficos retomaram, há cerca de 10 dias, os embarques de carne bovina para a Rússia maior importador em volume, com cerca de 40% de participação, e segundo em faturamento, com 33%. O país não chegou a suspender a compra de carne do Paraná, mas alertou que em uma eventual confirmação da aftosa o embargo seria retroativo e, com isso, os produtos não poderiam ser desembarcados.
Com receio de prejuízo, os produtores seguraram a exportações para a Rússia, lembrou o economista. O alívio da retomada das exportações para o mercado russo só não é maior porque lá a carne é vendida a US$ 1,70, em média valor 65% menor do comercializado na UE.
Segundo Fanaya, o único país de expressão nas importações de carne paranaense que continuou comprando, normalmente, foi Hong Kong, que responde por 7% do faturamento ou o oitavo lugar no ranking.
Ainda de acordo com o Sindicarne, a greve dos fiscais federais agropecuários não está afetando, de forma significativa, as exportações de carne bovina.


