Decisão da UE é política, diz Faep
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A decisão da União Européia em suspender a importação da carne brasileira não está apenas embasada em questões sanitárias, mas principalmente em questões políticas e comerciais, afirma o assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Celso Fernando Dias de Oliveira. Segundo ele, o interesse real é pressão econômica e uma tentaiva de garantir o mercado para a carne da Irlanda.
''Todas as propriedades foram auditadas recentemente pelo sistema sanitário brasileiro. Foram encontradas algumas irregularidades, mas as 2.861 propriedades se encontram dentro das normas. O que está acontecendo é que nós superamos as expectativas dos europeus e isso soou mal para eles'', declarou Oliveira.
Depois que a UE suspendeu a importação de carne bovina brasileira, na última quarta-feira, a economia do país entrou em ''estado de alerta''. A decisão tem como principal motivo, a disputa em relação ao número de fazendas que o Brasil teria o direito de certificar para exportação. Os europeus disseram que aceitariam a carne de apenas 300 propriedades, mas a lista que o Brasil apresentou na última segunda-feira, foi nove vezes maior que o esperado, ou seja, 2.861 fazendas.
Alegando dúvidas em relação às condições sanitárias da carne brasileira, a UE então, decidiu barrar a importação até que sejam feitas novas vistorias pelo serviço sanitário da Comissão Européia, que deverá chegar ao Brasil no dia 25 de fevereiro.
Em 2007, as exportações de carne bovina do Brasil somaram US$ 4,5 bilhões, o que representa 15% a mais do que no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne ®MD77¯(Abiec). ®MDNM¯
''Cabe ao governo buscar medidas para minimizar os efeitos. O Brasil não pode aceitar passivamente esse obstáculo às exportações da carne brasileira'', afirma o ex-ministro da Indústria e Comércio e também da Agricultura, José Eduardo de Andrade Vieira. Segundo ele, a medida afeta profundamente o pecuarista brasileiro e por isso, o governo brasileiro deve agir rapidamente. Para José Eduardo, o governo e os associações que representam os setores da produção e exportação devem ter uma postura mais firme.
''Existem providências que podem ser tomadas, mas que exigem coragem por parte dos nossos governantes, como por exemplo, deixar de importar algum produto importante da comunidade européia'', defende José Eduardo. Ele lembra que na época em que foi ministro o país superou uma situação semelhante. ''Os Estados Unidos criaram obstáculos para a exportação de suco de laranja e aço brasileiro. A partir do momento que anunciamos que não iríamos mais importar carvão e papel dos EUA, eles recuaram na decisão'', recorda.
Para o pecuarista José Antônio Fontes, conselheiro da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), a medida não afetará muito a economia paranaenses, até porque o Estado não mantém comércio com a UE. ''O crescimento do consumo interno de carne bovina, que saltou de 36 quilos por pessoa para 42 quilos no ano passado e, o fato do Brasil exportar para mais 140 países, são suficientes para manter a economia estável'', afirma Fontes ''Esta medida não irá derrubar a economia. Os mais prejudicados serão os donos de frigoríficos que exportam carne para a União Européia, em grande volume'', diz.
Em nota oficial divulgada ontem, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), classificou a decisão da UE como ''arbitrária'' e negou qualquer falha no sistema nacional de controle sanitário.


