Decisão coloca em risco faturamento de lotéricas
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Agência Estado 
O presidente do Sindicato dos Lotéricos do Estado de São Paulo, Lourival Iervolino, considerou ''uma faca de dois gumes'' os reflexos da decisão tomada na noite de quarta-feira pela 6 Vara Federal de Porto Alegre (RS), que atendeu pedido do Ministério Público e determinou que a Caixa Econômica Federal suspenda imediatamente em todo o País a prestação de serviços bancários pelas agências lotéricas.
Segundo Iervolino, se por um lado a medida diminuirá os riscos de assaltos aos estabelecimentos, por outro, reduzirá o volume de apostas e o faturamento das casas. ''Os serviços bancários rendiam apenas cerca de R$ 10 diários às lotéricas. No entanto, as pessoas que iam fazer negócios de bancos aproveitavam para jogar. Com a decisão, nosso potencial de lucro vai cair'', destaca. ''A curto prazo, a decisão é boa, porque teremos mais segurança. Mas a médio prazo vamos lutar para ter esses serviços de volta, porque não dá para ficar só no joguinho'', declara.
O presidente do sindicato afirma que desde fevereiro, quando as lotéricas assumiram os serviços terceirizados, os assaltos registraram um aumento de 30%. No entanto, ele acredita que, se os estabelecimentos recebessem mais verbas da Caixa para investir em segurança, os problemas poderiam ser contornados. ''Só que a Caixa é mesquinha para pagar, como todo patrão'', ataca. De acordo com Iervolino, em três anos, a receita bruta mensal média das lotéricas brasileiras regrediu 21%, de R$ 4,3 mil para R$ 3,6 mil ao mês. No ano, o faturamento com jogos alcança R$ 3 bi, sendo R$ 1,5 bi nas 2034 lotéricas espalhadas pelo Estado de São Paulo.
Apesar da decisão judicial, ontem as lotéricas continuavam realizando os serviços relacionados a depósitos em conta corrente ou poupança, aplicações financeiras a qualquer título, saques de conta corrente, poupança ou benefícios previdenciários, entrega de talões de cheque e de propostas de abertura de conta corrente ou poupança. O presidente do sindicato argumenta que os serviços não foram suspensos, porque a Caixa ainda não foi notificada da medida.


