Décimo-terceiro irá injetar R$ 2,3 bi no PR
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sexta-feira, 14 de novembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba O 13º salário pode injetar R$ 2,3 bilhões na economia do Paraná. Essa é a previsão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que também acredita que as vendas na época de Natal devam crescer de 5% a 10% no Estado. A estimativa levou em conta o setor formal, que legalmente tem que receber o abono, e também os trabalhadores do setor informal, trabalhadores domésticos e taxistas (que usam bandeira dois durante todo o mês de dezembro como forma de receber o 13º). No País, R$ 35,8 bilhões devem entrar na economia. Contudo, esse montante conta apenas o mercado formal.
Apesar de o valor total de 13ºs pagos ter crescido cerca de 7% em relação ao ano passado, o trabalhador ainda continua perdendo para a inflação, que, segundo o Dieese, deve fechar o ano em 11%. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, afirma que cerca de 50% do abono que o trabalhador vai receber a partir do dia 28 de novembro devem ir para o pagamento de dívidas. Do restante, de 20% a 30% devem ser destinados ao consumo e o restante a aplicações e lazer. ''Essa parcela grande para as dívidas é por causa da queda na renda dos trabalhadores este ano'', explica. Em 2002, calcula-se que por volta de 40% do 13º dos paranaenses foram usados para cobrir dívidas.
Do total de rendimentos do 13º no Estado, 64% provêm dos trabalhadores formais, 20% dos aposentados e pensionistas e 16% dos informais. ''Contabilizamos os trabalhadores informais porque pressupõe-se que os empregadores paguem todas as verbas, não recolhendo apenas os encargos'', comenta Cordeiro. Hoje, no Paraná, são cerca de 1,2 milhão de aposentados e pensionistas que recebem, em média, um salário de R$ 383,19; cerca de 3 milhões de trabalhadores no setor formal, que recebem uma média de R$ 645,23; e 1,15 milhão de trabalhadores informais com salários na média de R$ 325,60.
Apesar das difuldades financeiras das pessoas, Cordeiro acredita que a melhora que a conjuntura econômica do País está apresentando, como a queda nas taxas de juros, anima os consumidores a fazer compras. ''Foi um ano difícil, mas como há boas expectativas para 2004, o consumidor fica mais suscetível ao clima natalino'', avalia. Mas Cordeiro faz um alerta: quem for parcelar compras deve pesquisar não só preços, mas também as taxas de juros, que hoje variam de 1,5% a 11% ao mês.


