Debênture: comprar ou não comprar?
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem local 

Entre as várias opções de renda fixa no mercado, as debêntures estão entre as mais rentáveis, mas não servem para todos. Não devem comprá-las aqueles com aversão a risco e nem pessoas que necessitam de muita liquidez. Debêntures são títulos emitidos por sociedades anônimas, abertas ou fechadas, que precisam se capitalizar. São uma alternativa para essas empresas ao financiamento bancário e à emissão de ações.
Normalmente, os papéis vencem em médio e longo prazos, no mínimo de um ano, e remuneram o investidor com juros pagos na forma de cupons semestrais. O valor principal é resgatado no vencimento do título.
Contudo, uma debênture também pode ter características bem diferentes, como remunerar o investidor somente no vencimento e ser conversível em ações. Todas as condições são descritas na escritura de emissão.
É possível comprar uma debênture tanto no mercado primário, quando são emitidas pela empresa, ou no secundário, adquirindo o título de outro investidor que não deseje esperar o vencimento.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determina que a negociação da debênture seja feita sempre por meio de um agente fiduciário, normalmente uma corretora de banco. O detentor desses títulos pode vendê-los antes do vencimento, mas a liquidez bem menor, por exemplo, do que a dos títulos do Tesouro Direto, que tem um mercado maior e consolidado.
O professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Guilherme Ribeiro de Macêdo explica que a liquidez desses títulos depende da classificação de riscos. "As que têm nota de de BB para cima oferecem bastante liquidez", conta.
De acordo com ele, no entanto, não é fácil vender uma debênture se a avaliação de risco for muito alta. "Outra característica que dificulta a venda é o prazo longo de vencimento, acima de 15 anos", explica.
Consultor de finanças estratégicas da Consultoria Leão Bravo, Leonardo Grisotto recomenda ao investidor prestar muita atenção na escritura da debênture. "Não há a menor possibilidade de se adquirir uma debênture sem observar cada item desse documento, porque fica claro tudo o que está assegurado. Se haverá amortização ou se existe alguma garantia ao credor no caso da empresa não honrar o pagamento do empréstimo", explica. Outra informação importante que precisa constar na escritura é como será o rendimento, se atrelado à CDI, à taxa Selic, ao IPCA ou a outro indexador.
Trata-se de um investimento que exige atenção e acompanhamento constante. "Mesmo com a regulamentação por parte da CVM (e da existência do agente fiduciário), o investidor não pode desconsiderar seu perfil para esse tipo de investimento, pois nenhuma rentabilidade cobre o desassossego permanente", orienta Grisotto.
Ou seja, é preciso ter boa tolerância às oscilações do mercado a longo prazo.
Também é importante gostar de exercer uma gestão mais ativa da carteira, porque o investimento requer um conhecimento de médio a avançado sobre o mercado e sobre notícias relacionadas a economia no mundo. É preciso acompanhar o risco monetário, cambial e até o fluxo de caixa da empresa emissora", pondera Grisotto.
Segundo ele, o retorno desse esforço é compensado. As debêntures pagam 100% do CDI mais de 1% a 2% de juros. "A rentabilidade pode ficar perto dos dois dígitos, o que é bem interessante."
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PERSPECTIVAS
O professor Guilherme Ribeiro de Macêdo avalia que o mercado de debênture não está muito aquecido atualmente porque as empresas ainda conseguem obter dinheiro mais barato no Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). "Mas a tendência neste governo (do presidente Michel Temer) é de fechar as torneiras do BNDES. Então, acho que logo as empresas começarão a buscar mais a alternativa da debênture", diz. Ele explica que, normalmente, as companhias emitem os títulos depois de esgotadas as possibilidades de obter empréstimos nos bancos.


