Para Marcelo Favarão, o sentimento dos produtores norte-americanos que vieram ao Brasil - interessados em reduzir o plantio de soja - era o de perceber nos brasileiros se há ou não uma vontade de lutar juntos, ‘‘de produtor para produtor, tentando aumentar nossas rendas’’. Favarão observa que aqui, como lá nos Estados Unidos, os produtores são induzidos a produzir mais e mais. No entanto, não se fala em aumento da rentabilidade que, a afinal, é o que mais interessa. ‘‘Cada vez somos convocados a produzir mais, no entanto para nós sobra apenas o suficiente; ou então para que tenhamos um lucro reduzido. Hoje temos que produzir 140 sacas/alqueire para seguir em frente, mas alguns anos atrás quem produzisse 100 sacas tinha um bom lucro e podia investir na agricultura’’. Em nome da competitividade o produtor é induzido a exaurir a terra e outros recursos naturais para produzir alimentos pelo qual recebe apenas o suficiente para sobreviver sem reinvestir na tarra.
Favarão também pergunta: a quem interessa essa escala de produtividade? Além dos vendedores de insumos e das grandes trades de soja, são as indústrias, que obtêm grandes lucros, os mais interessados. ‘‘Estamos nos tornando meros prestadores de serviço. De um lado o governo federal quer que produzamos mais para exportar mais, gerando dólares para a balança comercial; de outro lado, as indústrias de agroquímicos, aliás muito intimamente ligadas aos grandes compradores, já que uma têm ações da outra, e nos empurram novas tecnologias nesta desenfreada busca da produtividade.
Os agricultores norte-americanos não pensam diferente. Conversei muito com um dos líderes do grupo, sr. Severn. Ele disse que ao produtor norte-americano não interessa viver às custas de subsídios. Mas, ao final da convrsa sugeriu que não devemos subestimar o bolso do contribuinte norte-americano, que é muito fundo. Ele estava, em outras palavras, alertando que os subsídios não vão acabar.

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