De olho nos gastos com tarifas bancárias
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O consumidor pode chegar a gastar até R$ 500 por ano com tarifas bancárias, principalmente, quem utiliza muitos serviços e tem conta em mais de um banco. Cada vez mais os bancos vêm cobrando pelos serviços ou criando novos que antes não eram taxados e aumentando os preços muito acima da inflação. As conclusões são do vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e âncora do site Vida Econômica, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Para ele, o primeiro passo é saber que serviços o banco cobra e o valor de cada um. O cliente também deve comparar os preços que paga com outras instituições. ''Muitas vezes, os bancos oferecem um pacote que não é o ideal para a pessoa'', disse. A sugestão é pesquisar para verificar se vale a pena comprar um pacote ou pagar pelos serviços avulsos.
Outra dica é racionalizar, ao máximo, os serviços utilizados. Se a pessoa tira extrato quase todos os dias pode reduzir para uma vez por semana. Oliveira alertou ainda que, quanto mais contas a pessoa tiver, mais vai gastar com tarifas. Por este motivo, a recomendação é centralizar tudo em uma única conta. Para casais, ele também sugere que os dois tenham uma conta corrente.
Muitos serviços realizados através da internet ainda não são cobrados. Por isso, outra sugestão é utilizar este meio de acesso. O economista também recomenda que o cliente sempre pesquise preços das tarifas e não apenas na abertura da conta. ''O serviço poderia estar mais barato quando a pessoa abriu a conta e depois pode subir'', alertou.
Um estudo de Oliveira para o site Vida Econômica levando em conta bancos privados, estrangeiros, federais e estaduais apontou a diferença entre o maior e o menor preço para diversos serviços bancários. A variação de preços na confecção de ficha cadastral é de R$ 14,50 a R$ 60,15, o que representa uma diferença de 314,83%. A diferença de preços do cartão magnético é de 108,50% (R$ 5,65 a R$ 11,78), no talão de cheques de dez folhas 81,25% (R$ 2,88 a R$ 5,22), na abertura de conta corrente de 108,30% (R$ 10 a R$ 20,83) e no extrato de conta em terminal eletrônico de 63,04% (R$ 1,38 a R$ 2,25).
A maior variação foi encontrada no item ''depósito em outra agência'' que chega a 1.220% entre o menor custo de R$ 1,25 nos bancos estaduais e de R$ 16,50 nos bancos federais. A menor variação foi encontrada no item ''cheque administrativo'' onde a variação entre a menor tarifa (R$ 14,50 nos bancos privados nacionais) e a maior tarifa (R$ 16,67 nos bancos federais) é de 14,97%.
O levantamento apontou também o ranking das maiores tarifas cobradas por tipo de instituição financeira. Os bancos privados nacionais ficaram na primeira colocação, seguidos dos estrangeiros, dos federais e dos estaduais. A tarifa média mais cara é a ''abertura de crédito'' (R$ 174,40) e a mais barata é ''cobrança de cheque por compensação'' (R$ 1,57).
A economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Hêssia Costilla, disse que o consumidor tem que ir ao banco procurar exatamente o que vai precisar. ''A maioria das pessoas vai no banco que fica mais perto de casa ou no que conhece'', destacou.
Ela ressaltou que, normalmente, o gerente do banco ''vai empurrar uma das contas mais caras que tiver''. A economista alerta que o consumidor pode pagar mais caro se não fizer pesquisa e não definir o que vai precisar de serviços. Ela disse que um dos itens que mais eleva o valor da cesta de serviços é o talão de cheques.


