São Paulo - Apesar da sinalização do Banco Central (BC) de que a política de juros pode continuar rígida nos próximos meses, os varejistas não devem promover elevações expressivas nas taxas de juros ou redução dos prazos dos financiamentos. Isto porque as empresas tendem a aproveitar o aquecimento de consumo tradicional nesta época do ano.
O comércio pode fazer promoções até no sentido contrário, visando atrair os consumidores e a renda do 13º salário, avalia o economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Fábio Pina. Segundo ele, ao longo deste ano, a elevação da taxa básica de juros (Selic) da economia resultou apenas na interrupção do movimento de melhora das condições de crédito que era registrada: as taxas pararam de cair e os prazos deixaram de se alongar. A manutenção agora dos juros e prazos, apesar do aumento da Selic, está sendo sustentada também pela ''gordura'' acumulada nos meses anteriores pelas instituições, que não cortaram as taxas na mesma proporção que o Banco Central.
As regras atuais de crédito no comércio devem ser mantidas também porque as varejistas se prepararam para um Natal mais gordo, sobretudo no segmento de duráveis - que exige encomendas com maior antecedência.
Na opinião de Marcelo Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), caso opte por elevar taxas, as empresas correm o risco de virarem o ano com estoques altos. O Natal ainda será positivo, na previsão de Solimeo. As vendas devem crescer de 5% a 6% frente ao ano passado. ''É um resultado significativo considerando que a base de comparação é forte, mas é menos do que se esperava dois meses atrás'', afirmou.
A rede Casas Bahia, maior varejista do Brasil de móveis e eletrônicos, está ainda observando o comportamento do mercado para tomar decisões. A rede informou que não alteraria sua política de crédito pelo menos até o final de outubro. A partir daí iria analisar o comportamento da concorrência e o custo de captação do dinheiro para adotar alguma medida. A previsão de vendas de dezembro e o volume de encomendas à indústria, entretanto, estão mantidos. A expectativa é de um faturamento de R$ 1 bilhão no mês.

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