De olho no mercado de trabalho
A percepção de que o mercado está precisando de professores foi o que pesou para que o curso de Letras da UEL fosse reformulado. Agora, há licenciaturas em líguas portuguesa, espanhola e inglesa e suas respectivas literaturas, além de bacharelado em estudos literários e também em francês. Antes, havia uma licenciatura dupla e quem entrava no primeiro ano tinha várias línguas - inglês, espanhol, francês - passava por essas línguas e depois escolhia, além do português, qual gostaria de exercer.
''Antes, o aluno não saía preparado para nenhuma das duas. Agora, há uma abordagem sócio-linguística, envolvendo as novas necessidades do ensino'', frisa Fabiane Cristina Albino, coordenadora do colegiado do curso de Letras da UEL. Ela ressalta, por sua vez, que Letras e Pedagogia são os cursos que primeiro evocam a profissão de professor. Existem dezenas de outras licenciaturas, mas quem pensa em ser professor pensa em fazer algum desses cursos.
Fabiane observa que a carreira de professor talvez seja menosprezada ''até certo ponto'' porque muitas vezes as pessoas ''se sentem envergonhadas em seguir essa carreira, como se isso fosse ruim.'' Mas, pelo contrário, essa talvez seja ''a profissão mais importante da sociedade.'' ''Sem professor não podemos caminhar. Sem o professor as coisas se perdem e ninguém mais se torna qualquer outro profissional'', resume Fabiane, destacando que a desvalorização da profissão pode ser percebida, muitas vezes, pela baixa remuneração. Em escolas estaduais, por exemplo, um professor graduado e concursado recebe em média R$ 900, para trabalhar 20 horas semanais. Em escolas particulares, o valor da hora/aula varia de R$ 10 a R$ 30.
Segundo ela, o mercado de trabalho para o professor é bom e há espaço para todos e, muitas vezes, com boa remuneração. Porém é preciso, acrescenta Fabiane, buscar constantemente cursos de aperfeiçoamento. O futuro da profissão, avalia, não depende só dos cursos ou dos estudantes. Depende do olhar - e das ações - do poder público. ''Não um olhar de obrigação. Mas um olhar de contemplação, percebendo que a sociedade se faz por meio da escola e do professor.'' (E.Z.)





