De olho no lucro sustentável
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quando a engenheira de alimentos Gisele de Carvalho trabalhava como funcionária de uma empresa, gostaria que alguém trouxesse frutas diariamente na mesa dela para que pudesse comer nos intervalos de trabalho. A partir desta ideia, ela resolveu abrir um negócio sustentável e investir em alimentação natural. Em setembro do ano passado ela criou a empresa Peça Fruta.
O serviço consiste em oferecer dois tipos de frutas diariamente para os clientes a um preço fixo de R$ 38 por mês. Hoje ela já tem 650 clientes na área central de Curitiba e alguns em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. ''A ideia é levar o hábito de vida saudável para as pessoas. Procuro caprichar no visual das embalagens'', disse.
Gisele conta com dois funcionários para fazer as entregas e dois para higienizar as frutas. Oferece aos clientes opções como banana, maçã, laranja, frutas cortadas como mamão, abacaxi e melão e produtos inteiros como ameixa, pêssego, caqui, tangerina, goiaba, dependendo das frutas de cada estação. O kit chega aos clientes entre 8 e 11 horas da manhã de segunda a sexta-feira. ''O trabalho é prazeroso porque estou proporcionando qualidade vida, bem-estar e praticidade'', contou.
Ela é uma das empresárias que tem conhecimentos em sustentabilidade, como boa parte dos 3.912 micro e pequenos empresários de todo o País que participaram de uma pesquisa realizada pelo Sebrae nacional. Cerca de 65% deles avaliaram o próprio nível de conhecimento que tem sobre o tema sustentabilidade e meio ambiente como ''médio'', enquanto uma minoria (2%) disse não conhecer estes assuntos.
Os empresários consultados na pesquisa, em sua maioria, realizam ações com foco na sustentabilidade, como coleta seletiva de lixo (70,2%), controle do consumo de papel (72,4%), controle do consumo de água (80,6%), controle do consumo de energia (81,7%) e destinação adequada de resíduos tóxicos, tais como solventes, produtos de limpeza e cartuchos de tinta (65,6%).
Apesar disso, um percentual expressivo de empresários de micro e pequenas empresas ainda não tem por hábito utilizar matérias-primas ou materiais recicláveis no processo produtivo (51,7%), assim como realizar captação de água da chuva ou reutilização de água (83,4%).
Negócios
Com o objetivo de conscientizar os empresários e tentar difundir a ideia da sustentabilidade, o Sebrae mapeou 24 tipos de negócios sustentáveis que serão apresentados no Espaço Feira do Empreendedor aos participantes da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que começa hoje e termina no dia 22 de junho no Rio de Janeiro. São ideias para quem pretende abrir uma empresa ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável.
De acordo com a consultora do Sebrae-PR, Márcia Giubertoni Borro, hoje os produtos sustentáveis representam um diferencial para as empresas. Em um futuro bem próximo, isso será um padrão exigido pelos consumidores. Entre as ideias que fazem parte do levantamento estão lavanderia, pousada, indústria de reaproveitamento de resíduos, fábrica de embalagens ecológicas, restaurante natural, reciclagem de lixo eletrônico, fábrica de calçados ecológicos, entre outras.
Estas ideias trazem orientações sobre questões referentes ao espaço físico adequado, número de empregados, equipamentos principais e valor do investimento.
Márcia disse que apesar de existirem iniciativas de empresas que já operam com sustentabilidade no Paraná, ainda há muito por fazer porque muitas micros e pequenas empresas não se preocupam com este tema. ''Daqui alguns anos se as empresas não tiverem atitudes sustentáveis não vão conseguir entrar no mercado''. Segundo ela, a construção civil tem investido muito em diminuição de consumo de energia e de água. Para Márcia, ''o momento agora é de fazer a transição de empresa tradicional para sustentável com respeito aos funcionários, aos clientes, fornecedores e ao meio ambiente'', afirmou.


