DE OLHO NAS CONTAS - Especialista ensina como não ter o orçamento no vermelho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de março de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - É quase sempre no final do mês que se sente de forma mais nítida os efeitos de um planejamento financeiro mal feito. As dívidas incomodam, os números na conta corrente se aproximam do vermelho e nem mesmo a iminência da chegada do salário parece proporcionar alívio completo. O economista e vice-presidente de finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Luiz Afonso Cerqueira, argumenta que medidas simples podem evitar o sufoco.
''A regra básica é se organizar e evitar supostas facilidades. Quando a pessoa começa a considerar o limite do cheque especial como parte do orçamento, é porque a coisa já está feia'', explica. ''Os juros do cheque especial variam entre 8% e 12%. Também é prudente evitar o parcelamento do cartão de crédito, cujos juros podem chegar a 15%''.
Cerqueira afirma que as finanças devem ser planejadas a partir da receita mensal garantida - fontes de renda eventuais, como 13º salário e restituição do Imposto de Renda, não devem ser consideradas. ''A partir desta receita, é fundamental priorizar despesas obrigatórias: saúde, alimentação, educação, impostos. Isso parece óbvio, mas muita gente dá importância em excesso ao mero consumo. Para itens de vestuário, lazer, por exemplo. Conheço muita gente que tem gastos desnecessários com telefonia celular'', aponta o economista.
''O ideal é que 10% do salário sejam economizados todos os meses. A pessoa pode poupar até atingir uma reserva equivalente a três salários. Este dinheiro deve ser guardado para emergências''.
Duas tentações corriqueiras, o cheque pré-datado e o cartão de crédito, devem ser alimentadas apenas em último caso. ''Quando a pessoa se vale demais desses meios, pode acabar se vendo numa situação em que não tem como honrar os gastos que assumiu. Pela mesma razão, o crediário deve ser evitado. Tem muita gente que quer os bens rapidamente e opta pelo parcelamento. A melhor escolha é economizar e pagar à vista. E pechinchando bastante'', conclui Cerqueira.


