De olho na qualidade do café
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O café é uma bebida indispensável para a maioria dos brasileiros. Seja no café da manhã ou ao longo do dia são poucas as pessoas que dispensam a bebida. No entanto, nem todos estão preocupados com a qualidade. Muitas marcas misturam ao grão palhas de outras culturas como milho, soja e escolha (casca ou grãos chochos e brocados). ''O produtor vende a matéria-prima verde por R$ 3 a R$ 3,60 o quilo. Como um bom pó de café pode custar esse valor? Ninguém faz milagre'', alerta Joana D'Arc Teixeira de Faria, funcionária da Emater, classificadora e degustadora de café.
Segundo ela, o preço ao consumidor de 500 gramas de um pó de qualidade razoável deve ser entre R$ 7 e R$ 8. ''A maioria das pessoas não conhece a qualidade de café. Há o conceito de que café forte é café queimado, carbonizado, mas é errado; cerca de 98% dos consumidores não conhece o ponto de torra ideal'', diz Joana D'Arc. No entanto, ela salienta que a torra escura ou torra brasileira, como é conhecida, é utilizada em grãos de qualidade inferior porque mascara os defeitos e os aromas. ''A torra máxima é feita para esconder o gosto (ruim) do café'', diz. O ponto ideal seria a torra mais leve ou ''não tão escura''.
''Os consumidores confundem café forte com uma bebida amarga, mas não é isso. Este é o café de pior qualidade, que tem um sabor agressivo. A maioria compra 'cinzas''', diz a degustadora. Nessa linha da qualidade há, no mercado, a oferta de café gourmet, que significa especificação de qualidade. Entre as características o grão não pode ser do tipo conillon e deve ser isento de defeitos. Segundo ela, apenas 2% dos consumidores são mais exigentes. ''E isso não é um problema de baixa renda, falta conhecimento mesmo; poucos sabem o que realmente bebem'', salienta.
Outra dica importante para o momento da compra é verificar a origem do café e identificar a torrefadora. ''Se o consumidor gostou da marca, que atendeu o seu paladar é ideal comprar sempre a mesma. Em geral, os consumidores estão mais exigentes, mas poucos sabem o que bebem'', reforça Ivonete Teixeira Rasêra, engenheira agrônoma do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e degustadora de café. ''Se a fiscalização fosse eficiente muitas marcas seriam retiradas do mercado porque há muita mistura. Também nem todos os 'cafés gourmet' no mercado tem as características'', alerta.
Na hora de preparar o café o odor deve ser agradável. O ideal também é que não seja adicionado muito açúcar para que o sabor não seja mascarado. ''O café é uma bebida fina e, por isso, deve-se sentir o seu gosto, beber de gole em gole, sorver a bebida'', enfatiza Joana D'Arc. Não deve ser usada água fervente; a água deve ser despejada sobre o pó quando começar a borbulhar. Apesar de tomar o café não adocicado, ela recomenda que para cada litro de água sejam utilizadas quatro colheres de sopa de pó e apenas uma colher de açúcar. Na sua avaliação, o uso de adoçantes interfere no sabor da bebida.


