De olho na higiene das bancas
Curitiba - Temperatura dos produtos, estrutura das bancas, rótulo dos produtos, higiene pessoal dos comerciantes e funcionários são alguns dos aspectos que devem ser observados pelo consumidor na hora da feira. Na banca de frios, por exemplo, um dos maiores problemas é quantidade de produtos que deveriam estar na geladeira, mas que ficam expostos sobre o balcão, em temperatura ambiente.
''Produto de origem animal é sempre problema. É preciso tomar muito cuidado'', alerta a médica veterinária Virginia Gasparini, fiscal da Secretaria de Abastecimento. Segundo ela, uma boa maneira do consumidor se prevenir, é observar o rótulo e ver se as especificações do fabricante estão sendo cumpridas. ''O fabricante só vai garantir seu produto se ele for conservado de acordo com suas recomendações. Se o produto não for acondicionado certo, diminui o tempo de durabilidade e as chances de estar contaminado aumentam'', afirma.
Segundo Ana Valéria de Almeida Carli, coordenadora da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Curitiba, todo produto de origem animal tem que comprovar sua origem por meio de um selo que mostra que sofreu inspeção municipal, estadual ou federal. Um dos problemas, explica Ana Valéria, são os queijos caseiros, chamados de colonial. ''Eles têm sabor atrativo, mas o risco de estarem contaminados por bactéria é muito grande'', diz. O risco existe porque sem informações do rótulo, o consumidor não tem nenhuma garantia do processo de elaboração do produto.
Outro alerta das especialistas refere-se ao risco da contaminação cruzada, o que pode ocorrer quando produtos crus, como a linguiça frescal, por exemplo, e cozidos são armazenados juntos. ''Os crus têm uma contaminação natural que em contato com os cozidos vai encontrar um ambiente propício para se multiplicar'', diz Virginia.
Ana Valéria lembra que qualquer alimento pode provocar uma infecção alimentar, cujos sintomas mais comuns são diarréia, vômito, dor abdominal, dor de cabeça e febre, dependendo do agente que provocou o problema. Os sintomas podem aparecer logo após a ingestão do produto ou até 48 horas depois. Nesses casos, muitas vezes a pessoa não sabe definir o alimento causador da infecção.
Segundo o diretor da Secretaria de Abastecimento, Luiz Gusi, há uma pirâmide dos alimentos de risco. No topo estão os pescados, depois vêm os frios, embutidos, carnes, cereais e graõs, frutas, legumes, verduras, biscoitos. ''Muitos pegam a comida e comem, às vezes têm coliformes fecais, esterichia coli, há problemas na embalagem, o produto está aberto, não tem origem. A feira está na rua, é um ambiente exposto a agentes como poeira, cabelo, insetos'', diz Gusi. (M.G.)





