De olho na América
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 


Depois de quase duas décadas de negociação bem arrastadas, é verdade - o Brasil finalmente irá exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. Ontem, o presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, realizaram o anúncio oficial do acordo. Na cerimônia, Maggi e a embaixadora dos Estados Unidos, Liliana Ayalde, trocaram cartas de reconhecimento de equivalência dos controles oficiais de carne bovina entre os dois países. Tanto o Brasil poderá vender o produto para os norte-americanos, quanto os EUA para o mercado brasileiro, já que seguiram procedimentos de avaliação técnica independentes, concluídos no mesmo período.
O Paraná, como produtor de carne de qualidade inclusive com alianças mercadológicas bem estruturadas tem potencial para fechar negócios e expandir seu mercado de exportação, hoje basicamente com clientes de Hong Kong, Rússia, Irã e China. Entre janeiro e junho, o Estado exportou 17,4 mil toneladas de carne bovina in natura, um incremento de 125% em comparativo às 7,7 mil toneladas do mesmo período do ano passado.
O Estado pode morder uma fatia porque a modalidade de habilitação será por "pré-listing", ou seja, tanto o Mapa quanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) poderão indicar lista de estabelecimentos para a exportação. Apenas aqueles que cumprirem todos os requisitos da certificação serão indicados pelos serviços oficiais americanos e brasileiros. "Os Estados Unidos é área livre de febre aftosa sem vacinação desde a década de 1940. A conquista dessa certificação reconhece a sanidade dos rebanhos brasileiros e paranaenses", salienta o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Afonso Kroetz.
A expectativa, segundo Kroetz, é que neste primeiro momento a exportação nacional para os norte-americanos atinja uma marca de 65 mil toneladas por ano, com os frigoríficos paranaenses buscando parte desse montante, ainda difícil de calcular. Vale dizer que hoje o País já exporta em torno de US$ 280 mil em carne cozida enlatada para os EUA. "Não é um volume tão grande, mas isso fará com que os demais mercados vejam a nossa carne de uma outra forma, e com toda a segurança sanitária que ela de fato tem. O Paraná tem indústrias que, sem dúvida, atendem as exigências previstas nestes certificados. Elas precisam apenas se mobilizar para fechar os negócios, afinal, os EUA pagam um preço melhor do que a média dos outros mercados internacionais. O Paraná entrará nesta disputa."
O médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seab) Fábio Mezzadri relata que os EUA são um mercado promissor e o país pode se tornar até mais acessível que, por exemplo, os russos, que apresentam uma instabilidade histórica na comercialização. "Temos qualidade o suficiente para exportar aos americanos. O nosso grande gargalo é o volume de produção. Hoje temos alguns nichos de carne de qualidade no Estado, principalmente pelas alianças mercadológicas criadas. A grande questão é a constância para atender os mercado de fora." Em 2015, o Estado abateu 1,24 milhão de cabeças, uma produção que gira em torno de 300,2 mil toneladas por ano.


