Maigue Gueths
De Curitiba
Os mais de 2 mil lugares do Teatro Guaíra quase foram insuficientes para a platéia que lotou o auditório, ontem pela manhã, em Curitiba, para ouvir o sociólogo e consultor italiano Domenico De Masi. Professor de sociologia do trabalho na Itália, De Masi é considerado um dos principais defensores de uma teoria que vem se tornando comum entre sociólogos do mundo todo: a de que o trabalho como conhecemos, normatizado na era industrial, está fadado a desaparecer, e que o futuro aponta para um ‘‘ócio criativo’’. Esta teoria envolve, numa sociedade pós-industrial, a readequação e integração dos conceitos atuais de trabalho e de lazer.
De Masi veio ao Brasil participar de uma série de palestras e lançamentos de seus dois livros: ‘‘Desenvolvimento sem Trabalho’’ (ed. Esfera, 104 págs, R$ 15,00) e ‘‘Sociedade pós-Industrial’’ (ed. Senac, 448 págs, R$ 35,00). Em Curitiba, ele fez palestra a convite da Copel, em comemoração aos 45 anos da empresa.
‘‘Estamos vivendo uma era crucial, de mudança de uma sociedade industrial para uma pós-industrial. Mas, infelizmente, alguns não estão percebendo esta passagem e continuam com a mesma mentalidade da época industrial. Por isso, temos esta sensação de conflito’’, disse. De Masi fez um relato da história do mundo do trabalho, a começar pela sociedade rural, passando pela industrialização até chegar aos dias de hoje, de pós-industrialização, como ele chama.
Nessa última passagem, segundo ele, o homem passou de uma sociedade que exigia o acúmulo de lucro, objetos e de poder para outra, onde o trabalho e os valores envolvem intelectualização, criatividade, confiabilidade e ética, além de emotividade, estética e subjetividade. ‘‘Estes três últimos valores estavam deixados de lado, confinados às mulheres.’’
‘‘Nesta nova sociedade o central não é a produção de grandes bens materiais, mas sim de bens intelectuais, de estética, de informação, de ciências, de arte. É o poder que está passando da mão de quem dominava as máquinas para quem domina a informação’’, disse. Para ele, alguma coisa está errada, num mundo onde executivos e os mais ricos, hoje, trabalham mais do que os mais pobres. Ao mesmo tempo, vivemos uma época onde a produção não exige mais tanto tempo de dedicação, como antigamente. ‘‘Hoje, a IBM faz um computador em 16 horas de trabalho enquanto há dez anos precisava de 100 horas’’, diz.
O problema é que em função das novas tecnologias, da nova organização do trabalho e da globalização, as empresas estão despedindo funcionários e executivos em troca de computadores e robôs. ‘‘Despedir é mais fácil, a empresa simplesmente descarrega seu problema para a sociedade’’, diz, defendendo que as empresas enfrentem este problema sem desemprego, mas com a redistribuição do trabalho. Ou seja, os trabalhadores passariam a ter uma carga menor de trabalho de modo a viver com mais tempo livre.Para o sociólogo do trabalho, a sociedade está mudando para sentimentos mais feminilizados
José SuassunaREVOLUÇÃO INVISÍVELDomenico De Masi lotou o Teatro Guaíra, em Curitiba: ‘‘Poder está passando da mão de quem dominava as máquinas para quem domina a informação’’, disse o sociólogo

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