Em declarações ao ''Hora Clave'' programa sobre política o presidente argentino Fernando De la Rúa disse ontem que o seu país está longe da beira do precipício mais uma vez. Por enquanto. ''Eu garanto o rumo do país. E não vamos sair deste rumo. Se sairmos, vamos outra vez para o precipício''.
Entre um gole e outro de chá de ervas tranquilizantes, De la Rúa disse que ''sofreu'' e ''desfrutou'' com o triunfo da seleção da Argentina sobre a do Brasil. ''Gostei de ver como fomos para a frente com força e assim, ganhamos'', disse com um tom de quem gostaria de que isso se repetisse na vida econômica, fora do estádio Monumental de River. Fazendo um paralelo entre o jogo de futebol e a economia, o presidente disse que ''estamos no primeiro tempo (quando a Argentina perdia de um a zero), e vamos começar o segundo. Mas temos que nos esforçar''.
Seguindo uma ladainha tradicional dos presidentes argentinos dos últimos 50 anos, De la Rúa colocou a culpa da atual crise em ''décadas de erros'' de governos anteriores. Segundo ele, recebeu o país com um déficit de US$ 10 bilhões (herança do ex-presidente Carlos Menem 1989-99). ''E além disso, este mês terei que pagar US$ 500 milhões de juros da dívida'', disse, usando a primeira pessoa.
O presidente também rechaçou as críticas feitas à sua administração, por integrantes de seu próprio partido a UCR como do Partido Justicialista (mais conhecido como ''Peronista''), da oposição. De la Rúa defendeu-se afirmando que os problemas ainda não puderam ser totalmente resolvidos porque ''estou há um ano e meio'' no comando do país. Segundo ele, ''não dá para reduzir o desemprego de um dia para outro. Não se deixem enganar pelos cantos de sereias que afirmam que tudo é fácil''.
Apelando à intervenção divina, De la Rúa disse: ''Temos que viver daquilo que arrecadarmos. Deus queira e nos ajude para que a reativação econômica venha rápido''.
Os governadores peronistas estão em pé de guerra com o governo De la Rúa, o qual acusam de atrasar as remessas de verbas para as províncias, a maioria das quais estão à beira da falência. Mensalmente, o governo federal deve repassar US$ 1,36 bilhão obtidos com a arrecadação financeira. No entanto, esta semana o governo confirmou uma possibilidade que estava horrorizando os governadores: poderá eliminar este piso fixo, e enviar parte daquilo que arrecadar, de forma a poder cumprir a meta de déficit fiscal zero pactuada com o FMI.

mockup