Pela terceira vez em menos de um ano de governo, o presidente Fernando De la Rúa enfrentará uma greve geral. A greve, que começa hoje ao meio-dia, será de 36 horas, e foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). Amanhã, além destas duas centrais sindicais, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) oficial também realizará uma greve geral.
Os motivos da paralisação tiveram como idéia inicial a visita da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que viria a Buenos Aires acertar a ajuda financeira para que a Argentina evite a suspensão do pagamento da dívida externa no ano que vem. No entanto, a missão do Fundo atrasou sua visita e os motivos da greve foram ampliados para protestar contra o ajuste econômico, o desemprego, o arrocho salarial e o crescimento da pobreza no país.
Além disso, os sindicatos protestarão contra o recente pacote econômico do presidente De la Rúa, que inclui a reforma da previdência (com a eliminação da aposentadoria estatal) e o aumento da idade de aposentadoria das mulheres de 60 para 65 anos.
Os protestos incluirão piquetes nas estradas e panelaços. Além disso, os sindicatos realizarão ‘‘refeitórios populares’’: serão distribuídas refeições diante da Casa Rosada, a sede do governo, e do Congresso.
Segundo a CTA, representantes da CUT do Brasil estarão presentes para observar a greve na Argentina.
No momento, 15,8% dos trabalhadores argentinos estão desempregados. Uma proporção equivalente da população economicamente ativa está subempregada. Além disso, um terço da população é pobre e a tendência é que esse número aumente. Desde o início do ano, 340 mil pessoas tornaram-se ‘‘novos pobres’’ na Grande Buenos Aires.
O presidente De la Rúa sustenta que a greve é ‘‘ilegal’’ e que ‘‘não tem sentido de ser’’, além de ‘‘estar contra os interesses do país’’. A ministra do Trabalho, Patricia Bullrich, tentou minimizar as declarações do presidente explicando que a greve era ‘‘ilegítima’’ e não ‘‘ilegal’’. Bullrich afirmou que uma greve de 24 horas acompanhado por 50% da população causaria perdas de US$ 600 milhões.
‘‘Quem paralisou o país foram eles’’, responde o líder da CGT dissidente, o caminhoneiro Hugo Moyano. ‘‘Este governo não começou ainda a governar’’, critica. ‘‘Desta vez o governo enfrenta uma classe trabalhadora unida’’, acrescenta Victor De Gennaro, secretário-geral da CTA. ‘‘O governo precisa se acostumar à democracia e às greves como forma de protesto.’’

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