O presidente argentino, Fernando de la Rúa, e seu ministro da economia, Ricardo López Murphy, abriram ontem a possibilidade de mudanças no programa de redução de gastos que propuseram sexta-feira e que causou uma crise política com a renúncia de vários membros do gabinete. ‘‘O processo político vai atenuar estas propostas no âmbito parlamentar. Isso faz parte natural de qualquer processo democrático. O que não se pode alterar é o objetivo de fixar o programa macroeconômico dentro das metas estabelecidas’’, disse López Murphy, acompanhado por de la Rúa num encontro com banqueiros e jornalistas.
O presidente e o ministro chegaram na manhã de segunda-feira a Santiago, aproveitando a assembléia anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para explicar as medidas, que implodiram a aliança de governo e ameaçam desatar um vendaval de protestos populares. Em discurso na abertura da assembléia do BID, de la Rúa afirmou que a Argentina não deixará de honrar seus pagamentos, como temiam alguns analistas, e assegurou que serão cumpridos os compromissos firmados como parte da blindagem financeira de 40 bilhões de dólares em dezembro com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A taxa de risco argentina voltou a disparar ontem pela manhã. Ficou em 885 pontos (8,85%), bem acima do patamar de sexta-feira, quando fechou em 850 pontos. ‘‘Infelizmente o presidente não anunciou até agora o que realmente quer e o rumo que o país precisa tomar para sair dessa crise’’, disse Dario Lewkowicz, Asset Manegement da Exprinter Administradora de Valores.
A bolsa de Buenos Aires, por sua vez, terminou o pregão com queda de 1,93%. O analista disse que o plano econômico de López Murphy aguardado pelo mercado é inviável politicamente. ‘‘O problema é que só agora o governo está percebendo essa inviabilidade e, como sempre, pode voltar atrás e fazer um giro de 180 graus para trocar a ortodoxia de López Murphy pela heterodoxia de Domingo Cavallo’’, disse.

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