O governo do presidente Fernando de la Rúa atarefava-se ontem em analisar as exigências do FMI que implicariam em um novo e drástico ajuste fiscal. Extra-oficialmente divulgou-se que cortes que seriam aplicados no Orçamento Nacional do ano que vem englobariam uma redução de US$ 4 bilhões, que seriam acrescentados aos US$ 4 bilhões do ajuste já implementado ao longo deste ano.

Além disso, o governo precisaria aumentar a arrecadação tributária em US$ 3 bilhões. Desta forma, o esforço fiscal argentino do ano 2002 seria de mais de US$ 11 bilhões. Com este ''ajustaço'', que teria que ser aprovado pelo Congresso Nacional, o FMI estaria disposto a liberar o empréstimo de US$ 1,26 bilhão que o país precisa para evitar o default.

Ao sair ontem à tarde de um seminário sobre a pobreza, o presidente De la Rúa pediu tranquilidade aos mercados e à população, e afirmou que o governo ''está trabalhando rapidamente com o FMI na revisão do programa para a Argentina. O ministro Domingo Cavallo está muito otimista. Avançamos muito''. Segundo De la Rúa, ''o importante é a sustentabilidade da economia argentina''.

O ajuste implicaria na eliminação dos planos de competitividade (planos que consistiam na redução de impostos para empresas em problemas com a recessão), aumento do imposto sobre o óleo diesel, cortes nos gastos na educação, aumento dos cortes nos salários dos funcionários públicos e aposentadorias de 13% para 20%.

Assim que chegou a Buenos Aires ao meio-dia, proveniente de Washington, onde foi tentar novo acordo com FMI, Cavallo partiu em direção à residência oficial de Olivos, para explicar a De la Rúa os detalhes das exigências do FMI. Depois, o ministro fez uma ''siesta'', e foi para o Ministério da Economia, preparar seu anúncio. Enquanto isso, os principais braços-direitos de De la Rúa, como o chefe do gabinete de ministros, Chrystian Colombo, tentavam conseguir um acordo político que permitisse a aplicação do novo ajuste fiscal.

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