Ontem de madrugada caiu o pano sobre o palco onde se desenrola a tragédia da crise financeira argentina. O governo do presidente Fernando De la Rúa conseguiu encerrar mais um ato desta prolongada peça – que ainda não terminou – ao obter a aprovação do pacote de ajuste fiscal. Com este ajuste, o governo pretende conseguir um déficit fiscal 0% de forma imediata, e assim, resgatar a perdida confiança do país por parte dos mercados. O impopular ajuste é o sétimo realizado em pouco mais de um ano e meio de governo.
O cenário desta última etapa foi o plenário do Senado, onde o ajuste foi aprovado depois de dez horas de intensos debates, por 25 votos a favor e 20 contra. Apesar das ameaças que faziam o governo tremer, o Senado não as concretizou, e assim, poupou o pacote de modificações.
O ajuste implicará na redução em 13% dos salários dos funcionários públicos e das aposentadorias acima de US$ 500. Além disso, o pacote estabelece um imposto sobre as cadernetas de poupança, o aumento em 4% dos encargos sociais para empresas privatizadas e empresas de serviços, a anulação da devolução do imposto sobre lucros e a redução que havia sido estipulada sobre este mesmo tributo. Com o ajuste, também foi aumentado o imposto sobre combustíveis. Com este pacote, o governo pretende conseguir um ajuste de US$ 2,5 bilhões.
Enquanto isso, a equipe econômica está trabalhando atarefadamente para conseguir um adiantamento dos fundos que serão entregues pelo FMI à Argentina, no total de US$ 1,245 bilhão, que seria entregue em agosto, e mais US$ 1,260 bilhão em novembro.
Aval de FHCO presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que as decisões tomadas na madrugada de segunda-feira pelo Senado argentino devem dar uma demonstração ao mundo de que o país está adotando soluções concretas para superar a crise econômica. E sua avaliação é que com elas as especulações perderão terreno. ‘‘Conversamos sobre a Argentina e as decisões tomadas são difíceis, mas permitem que os mercados compreendam que a Argentina está tomando um caminho muito sério, embora duro’’. Fernando Henrique afirmou ainda que, a seu ver, a aprovação das medidas argentinas beneficiarão também o Mercosul, mas admitiu que o Brasil ainda é frágil em relação à crise econômica dos seus vizinhos.‘‘Temos de ter mecanismos que cortem esses chamados contágios, que muitas vezes são retóricos, meramente verbais, mas que têm efeitos práticos muito daninhos para os povos que sofrem as suas consequências’’. (AE)

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