De funcionária à proprietária
Há sete anos, a cabelereira Salete Aparecida Cardoso recorreu pela primeira vez ao microcrédito. O objetivo era deixar de trabalhar para outras pessoas e comprar um salão de beleza. ''Queria comprar o salão e não tinha como, por isso fiz o empréstimo. Sem o microcrédito seria bem mais difícil conseguir. Pesquisei e descobri que essa forma era a que tinha as menores taxas de juros'', lembra Salate, que hoje conseguiu sair da informalidade. Atualmente, após outros dois empréstimos, ela emprega mais duas funcionárias. Mesmo sendo proprietária, Salete continua atendendo as clientes do salão Beauty Cabelereiros, e ainda administra o empreendimento.
A cabelereira chegou a fazer um microcrédito para abrir uma loja de cosméticos, mas não estava conseguindo administrar os dois trabalhos. Foi então que fechou a loja e fez um novo empréstimo para ampliar o salão. ''Pintei o salão e ainda comprei os equipamentos que precisava, como secadores, pranchas e escovas'', relata. Salete conta que planeja fazer mais um microcrédito no próximo ano para abrir uma escola de cabelereiros. ''Um outro diferencial do microcrédito é o acompanhamento. O agente de crédito visita o salão uma ou duas vezes por ano para ver como o negócio está caminhando'', salienta.
Segundo o professor de estratégica do ISAE/FGV, Luciano Salamacha, fomentar o empreendedorismo é o intuito principal do microcrédito. ''É uma forma de incentivo ao desenvolvimento, que tem como grande pilar a atividade econômica e é focado em pequenas empresas. As condições estipuladas nos contratos variam conforme o segmento que a instituição financeira pretende desenvolver, levando em conta a vocação de cada região'', explica. É o chamado microcrédito vocacionado, com linhas adequadas para o perfil econômico de cada região.
Neusa Mariano Ribeiro dos Santos é mais uma adepta do microcrédito, tanto que nem se lembra se já recorreu a este recurso seis ou sete vezes. Em 2006, Neusa assumiu uma lanchonete no Centro de Londrina e encontrou no microcrédito a única possibilidade de ampliar o espaço e a produção. ''No começo era apenas eu e meu marido, hoje já contratamos mais três funcionários'', relata. Na lanchonete Salgado Gostoso, é a própria Neusa que produz os diversos tipos de salgado oferecidos. O estabelecimento também comercializa refrigerantes, doces e outras guloseimas. ''Usei o dinheiro do meu primeiro microcrédito para comprar equipamentos, comprei um balcão grande feito sob medida e uma geladeira'', lembra. No início a produção era de aproximadamente 90 salgados por dia e hoje já alcança uma média diária de 400 unidades.
Após os dois primeiros microcréditos Neusa também conseguiu sair da informalidade. ''Sem o microcrédito teria dificuldade, pois com o dinheiro na mão conseguimos um preço mais barato na hora de comprar a mercadoria'', comenta. Neusa possui dois microcréditos em andamento e conta que pretende continuar fazendo, tanto para ampliar sua produção quanto para abrir uma nova loja no meio de 2011. (M.F.)





