De farmácias a lojas de beleza
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
Renato Oliveira<br>Especial para a FOLHA 
Surgidas dos antigos boticários, que remetiam às moléstias e enfermidades, as farmácias estão se transformando em verdadeiros centros de beleza, amparados pelo bom desempenho do mercado de higiene pessoal e cosméticos. Em 2007, segundo a Associação Brasileira de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec), o faturamento do setor chegou perto de R$ 20 bilhões.
Desde 1999, quando a indústria farmacêutica passou por uma forte transformação, devido ao surgimento dos medicamentos genéricos e similares (regulamentados pela lei 9.787), o panorama da farmácia, na condição de ponto de venda, mudou. Hoje, já é possível encontrar remédios até 60% mais baratos que as marcas dos tradicionais laboratórios. Entretanto, se pelo lado consumidor foi vantajoso, o do varejo complicou porque sua margem de lucro ficou apertada e seu faturamento sofreu com as perdas. Para o proprietário, uma das alternativas para lucrar foi investir nas linhas de higiene pessoal e cosméticos (HPC).
O crescimento total do setor, no ano passado, foi de 13%, quando comparado com 2006, número que superou a média de 11% dos últimos cinco anos. Em 2007, os cosméticos vendidos nos três canais mais importantes (tradicional, franquia e venda direta) faturaram R$ 19,8 bilhões. Os tradicionais são os grandes e pequenos supermercados, perfumarias e farmácias que representam juntos 68% do mercado. Em valores, foram R$ 13,9 bilhões em artigos de higiene pessoal e beleza vendidos pelos varejistas no ano passado, segundo dados da Abihpec.
No ponto de venda, o crescimento dos produtos de beleza já é assimilado pelos responsáveis em abastecer o mix. ''Em algumas de nossas lojas, a participação dos artigos de higiene pessoal e cosméticos atinge picos de 41%; na rede representa 30% do total'', comemora Cibele Régis, gerente da divisão de consumo das Drogarias Nissei. Contudo, segundo o Presidente do Sindicato das Farmácias de Londrina, Jéferson Proença Testa, a mudança do foco dos negócios, na média, ocorre de maneira gradativa. ''Se juntar a participação das duas categorias (Higiene pessoa e Cosméticos) você computa um número próximo de 20% sobre o total do faturamento da farmácia, dentro de um âmbito geral'', pondera.
Dados do instituto Popai Brasil, no estudo 'O Comportamento do Consumidor em farmácias e drogarias', realizado no último trimestre de 2006, apontam que 22% dos clientes levaram itens de higiene pessoal e 12% entram com objetivo de comprar cosméticos. Para Testa, a força deste canal está na segmentação e investir em artigos de alto valor agregado pode ser uma boa estratégia para concorrer com as grandes redes. ''Eu acho que a tendência dos cosméticos pegou bem na farmácia. Ela oferece preços melhores que os supermercados. Outra vantagem para seu proprietário é investir em linhas de beleza das classes A e B. Os varejos de massa focam mais nas categorias destinadas ao público C, D e E, o que é uma tendência forte hoje'', opina.
É possível constatar tal mudança observando a disposição de mercadorias nas gôndolas e prateleiras. Na maior parte da loja, ficam os xampus, condicionadores, tintas para coloração dos cabelos, cremes e escovas dentais, fraldas, desodorantes e entre outros itens de HPC. Eles são considerados a 'categoria destino' e os responsáveis pelo novo panorama da farmácia do século XXI, com objetivo de conquistar novos consumidores. E os medicamentos, agora, ocupam o balcão dos fundos e a maior parte da mercadoria fica no estoque, o que configura sua circulação como a ''categoria rotina''. ''Os cosméticos também trazem fluxo para dentro das lojas, o que proporciona uma oportunidade de venda de artigos agregados, como o tratamento capilar, xampus e condicionadores específicos para cabelos coloridos são alguns exemplos'', acredita Cibele, gerente de consumo da Nissei.


