Curitiba - A classe média brasileira tem um volume maior de pessoas com carteira assinada em relação a população em geral, responde por mais de 40% do consumo das famílias e teve uma elevação da renda mais intensa nos últimos dez anos que a média geral dos habitantes do País. Além disso, hoje já é mais da metade da população do Brasil. A concentração maior de pessoas desta faixa de renda está no Sudeste (45%), seguida de Nordeste (24%) e Sul (16%). Cerca de 88% vivem na área urbana e a maioria está empregada no comércio e na indústria.
O Estudo Vozes da Classe Média, divulgado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, mostra que 58% da população em idade ativa está ocupada no Brasil e, na classe média, este percentual é de 61%. Do total de ocupados, 54% tem um emprego formal, mas na classe média este percentual é mais elevado e atinge 56%. Hoje, de cada R$ 100 gastos no Brasil R$ 44 vem da classe média.
Outro destaque na pesquisa é que a renda desta camada da população cresceu a uma velocidade bem maior que a do restante dos brasileiros. Nos últimos dez anos, a renda da classe média cresceu 3,5% ao ano enquanto a renda média das famílias brasileiras em geral teve aumento de 2,4% ao ano. O consumo das famílias cresceu 2,4% ao ano e o da classe média 2,7% ao ano. A previsão é que este grande grupo da população deva movimentar cerca de R$ 1 trilhão em 2012.
Nos últimos dez anos, foram 35 milhões os brasileiros incluídos na classe média. A pesquisa define como classe média os brasileiros que vivem em famílias com renda per capita mensal entre R$ 291 e R$ 1.019 e têm baixa probabilidade de passar a serem pobres no futuro próximo. De acordo com o estudo, a expansão desse segmento resultou de um processo de crescimento do País combinado com redução na desigualdade. A estimativa é que a classe média chegue a 57% da população brasileira em 2022.
Os dados indicam ainda que a redução da classe baixa foi mais intensa do que a expansão da classe alta. De 2002 a 2012, ascenderam da classe baixa para a média 21% da população brasileira, enquanto da classe média para a alta ascenderam 6%.
Outro dado interessante é que 80% dos novos integrantes da classe média são negros. Com esse aumento, a representantividade entre negros e brancos ficou equilibrada. Um total de 53% da classe média é formada por negros e 47% por brancos.
O professor de Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Scatolin, disse que da década de 50 até 80, o País crescia concentrando renda. Com o governo Fernando Henrique Cardoso começou a estabilização da economia. Em seguida, o País iniciou um processo de crescimento e também ganhou impulso com as políticas sociais no governo Lula.
Agora, o País possui uma ''nova classe média'', segundo ele, que tem renda para consumir bens e serviços como eletrodomésticos, automóveis e a casa própria. Scatolin disse que o fator que mais tem feito a renda crescer é o emprego.
Para os próximos anos, ele acredita em uma consolidação deste padrão de classe média. Esta camada da população pode aumentar ainda mais a renda e o consumo, mas se o endividamento for mantido sob controle.

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