De cada 10 bananas que saem da propriedade rural, somente quatro vão parar na mesa do consumidor. As outras seis são descartadas por não atingirem a qualidade ideal para consumo. O índice de perda da fruta entre o produtor e o consumidor final chega a 60% de toda a safra. Motivo de tantas perdas: a banana é transportada sem obedecer às normas de manuseio pós-colheita, embalagem, armazenagem e comercialização, o que contribui para aumentar o desperdício da fruta no mercado brasileiro - segundo maior produtor mundial de banana, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para diminuir as perdas em todo sistema produtivo, as principais distribuidoras de banana no Paraná já começam a utilizar as caixas plásticas higienizadas. Até pouco tempo atrás, o uso racional de técnicas pós-colheita, visando preservar a qualidade da banana, se restringia ao produto destinado à exportação e a nichos locais de mercado de alto poder aquisitivo, mas hoje os revendedores começam a se preocupar com a qualidade de forma geral.
O produtor e revendedor da Banana Cristal de Cascavel, Marciel Scheidt, que cultiva 18 alqueires de banana na região de Jacupiranga (SP), trocou há quatro meses a caixa de madeira pela de plástico e está satisfeito. Ele tem notado os bons resultados, principalmente no que diz respeito a qualidade do seu produto. ''A qualidade é outra. Consigo agregar valor em até 20% no preço'', conta ele, que produz 1.100 caixas por semana.
Scheidt sabe bem quantas bananas já perdeu por causa das caixas de madeira. ''Com certeza perdíamos 6 de cada 10 bananas'', comenta ele, confirmando dados do IBGE e reconhecendo o prejuízo que tinha com a embalagem. Inicialmente, Scheidt adquiriu mil caixas, mas vai precisar de outras porque além de sua produção, ele também compra a fruta produzida em Santa Catarina para revender no Paraná, São Paulo e Mato Grosso. ''Essas vêm de Santa Catarina ainda em caixas de madeira. A nossa meta, futuramente, é transportar 100% das bananas na caixa plástica'', explicou. Entre sua produção e a revenda Scheidt comercializa 2,5 mil caixas de banana por semana.
O diretor da Central de Abastecimento em Londrina (Ceasa), Paulo Venturin, informa que na Ceasa somente 15% dos produtores e revendedores utilizam a caixa plásticas. Entre as de plástico e de madeira são movimentadas por dia cerca de 50 mil caixas. ''Estamos fazendo a divulgação para a substituição da caixa de madeira. A idéia é conscientizar o produtor de que as caixas plásticas são mais higiênicas, dão um visual mais bonito e evitam a proliferação de doenças. É uma tendência e todos vão ter que se adaptar futuramente'', completa. A exigência da caixa plástica vem acompanhada da instrução normativa número 009 de novembro de 2002, que trata da regulamentação do acondicionamento, manuseio e comercialização de produtos hortifrutis in natura.

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