Davos tenta melhorar imagem do capitalismo
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Daniela Milanese<br>Agência Estado 
Davos - A crise financeira global deixou feridas na imagem do capitalismo e, principalmente, no modus operandi do sistema financeiro internacional. Ao reunir a chamada elite dos negócios, o Fórum Econômico Mundial aproveita as oportunidades para tentar melhorar a percepção da
sociedade sobre o mundo de Davos.
Executivos dão explicações, buscam repensar a forma de atuação e também partem para a defesa de suas operações. Demonizados após a turbulência trazida pelo colapso do Lehman Brothers, os banqueiros começam a sair da defensiva e partem para o contra-ataque.
A principal iniciativa ontem veio do presidente do JP Morgan, James Dimon. De forma firme, ele afirmou que é ''improdutivo e injusto'' classificar todos os bancos como instituições que agem de forma irresponsável. ''Fazemos o melhor que podemos todos os dias.''
Deu exemplos: o JP Morgan está sendo cauteloso com a questão da crise na Europa e decidiu não tirar os investimentos de lá de forma abrupta, pois diversas empresas europeias são clientes do banco, o que precisa ser considerado. Outro: o JP Morgan ajudou a estabilizar o sistema ao comprar o Bear Stearns no olho do furacão.
Também disse que não é contra a reforma do setor financeiro elaborada pelo governos dos Estados Unidos. ''Quero apenas que seja algo racional, isso é tudo'', afirmou, ao defender o direito de os bancos fazerem lobby para assegurar suas posições.
Repensar a forma de atuação tem sido um tema abordado em Davos. Uma crítica constante é a urgência de lucros de curto prazo, sem preocupação mais estratégica. ''Precisamos de um capitalismo de longo prazo, nos conselhos de administração, na visão de fazer negócios'', disse Dominic Barton, diretor da consultoria McKinsey. ''Com a mentalidade de curto prazo, veremos mais crises.''
Conforme Maurice Lévy, presidente do Publicis Groupe, a crise deixou a impressão de que as empresas agem movidas somente por ganância, sacrificando os trabalhadores para gerar mais lucros e agradar os acionistas. ''Se não mudarmos isso, teremos muitas consequências negativas.''


