Davos faz apelo para o fim da pobreza
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
France Presse 
Nova York O combate à pobreza mobilizou o Fórum de Davos, em Nova York uma questão considerada urgente tanto pelo cantor Bono quanto pelo magnata Bill Gates, passando por presidentes e economistas; mas não foram apresentadas propostas concretas sobre como erradicá-la.
Até presidentes de grandes conglomerados coincidiram em assinalar a pobreza como o problema mais urgente do planeta, uma vez que os países pobres não oferecem bons mercados para seus produtos. A globalização está deixando muita gente de fora, admitiu o executivo da empresa Cisco Systems, John Chambers, citando cifras alarmantes: bilhões de pessoas no mundo sobrevivem com menos de um dólar por dia. Não é bom para os negócios. Estas pessoas deveriam ser consumidoras, disse.
E num mundo que se tornou mais inseguro pelos atentados de 11 de setembro, muitos dos participantes do Fórum Econômico Mundial vincularam o terrorismo à pobreza. Temos que lutar contra a pobreza, temos que lutar contra a disparidade, temos que lutar contra a falta de esperança, declarou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell. Temos que demonstrar as pessoas que há um caminho melhor que o terrorismo, acrescentou.
Já o vocalista da banda irlandesa U2, Bono, destacou que os mais pobres não podem escapar sozinhos da miséria. Mas, embora ao longo dos cinco dias foi debatida a questão se as nações industrializadas devam fazer mais para ajudar os pobres do planeta, representantes do país mais poderoso da Terra, Estados Unidos, demonstraram a pouca vontade desse país de aumentar sua ajuda.
O secretário do Tesouro americano Paul ONeill declarou no último final de semana no Fórum que todos os países do mundo poderiam alcançar um padrão de vida semelhante ao dos Estados Unidos, sem a necessidade de grandes ajudas econômicas.
Pôs em dúvida os argumentos sobre o compromisso contraído há mais de 30 anos na ONU, para que os países industrializados destinem 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) à Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (AOD).
Mas o senador americano Patrick Leahy recordou que dois terços da ajuda financeira concedida por Washington se concentra apenas em dois países, Israel e Egito, e que o terço restante é utilizado para promover as exportações americanas e para uma guerra ao narcotráfico que não pode ser ganha sem se atacar o consumo de drogas nos Estados Unidos.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, encarregado de encerrar na tarde de ontem o Fórum Econômico Mundial, com um discurso que já começou a ser divugado na sede do Fórum, advertiu a elite econômica e política mundial sobre os riscos de ignorar a extrema pobreza. Annan exortou os imensamente privilegiados líderes econômicos a encabeçar o combate contra a pobreza no Terceiro Mundo.


