Desde que cunhada pelo presidente Clinton, ‘‘reforma da arquitetura do sistema financeiro internacional’’ virou lugar-comum em todos os discursos de autoridades, do Primeiro ou do último mundo. Mas, como a iniciativa cabe aos países desenvolvidos, pelo seu peso econômico, o fato é que, até agora, não se deu um único passo nessa direção, 18 meses depois da quebra da Tailândia, que reacendeu a crise financeira global. Ao contrário: o encontro anual-99 do Fórum Econômico Mundial acabou sendo o cenário para a exposição de divergências nas posições dos grandes atores globais.
No caso da instabilidade na cotação cambial, por exemplo, Japão e França insistem na adoção de um sistema de bandas entre as três principais moedas do planeta. Ontem, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, rejeitou de novo a tese. Gordon Brown, ministro britânico do Tesouro, por sua vez, propôs a criação de novo comitê permanente de organismos reguladores, ‘‘para conduzir uma regular e sistemática vigilância do sistema financeiro mundial’’ e funcionar, na prática, como aviso prévio. Rubin também é contra. Acha que não surgiu ainda uma proposta realmente exequível de mecanismo de aviso prévio de crises. Pior: diz que, se um País receber notificação de que pode ter problemas, o mercado tomará a advertência como o cartão amarelo no futebol. Ou seja, como sinal de que o cartão vermelho pode vir em seguida. Com isso, retirará capital desse País, tornando, aí sim, a crise inevitável.

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