Davos discute 'aviso prévio' para crises
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 1999
Clóvis Rossi Agência Folha 
Desde que cunhada pelo presidente Clinton, reforma da arquitetura do sistema financeiro internacional virou lugar-comum em todos os discursos de autoridades, do Primeiro ou do último mundo. Mas, como a iniciativa cabe aos países desenvolvidos, pelo seu peso econômico, o fato é que, até agora, não se deu um único passo nessa direção, 18 meses depois da quebra da Tailândia, que reacendeu a crise financeira global. Ao contrário: o encontro anual-99 do Fórum Econômico Mundial acabou sendo o cenário para a exposição de divergências nas posições dos grandes atores globais.
No caso da instabilidade na cotação cambial, por exemplo, Japão e França insistem na adoção de um sistema de bandas entre as três principais moedas do planeta. Ontem, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, rejeitou de novo a tese. Gordon Brown, ministro britânico do Tesouro, por sua vez, propôs a criação de novo comitê permanente de organismos reguladores, para conduzir uma regular e sistemática vigilância do sistema financeiro mundial e funcionar, na prática, como aviso prévio. Rubin também é contra. Acha que não surgiu ainda uma proposta realmente exequível de mecanismo de aviso prévio de crises. Pior: diz que, se um País receber notificação de que pode ter problemas, o mercado tomará a advertência como o cartão amarelo no futebol. Ou seja, como sinal de que o cartão vermelho pode vir em seguida. Com isso, retirará capital desse País, tornando, aí sim, a crise inevitável.


