Davos debate agenda do século 21
Discutir uma agenda para o século 21, cobrindo tópicos tão variados quanto os desafios da geopolítica, a reordenação dos mercados mundiais, o combate ao desemprego, o papel das nações emergentes, a ética médica, a formação de capital humano, o aquecimento global, as dimensões éticas da literatura e as prioridades da tecnologia será a tarefa dos dois mil participantes da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a partir de amanhã.
O presidente Fernando Henrique será um dos 250 representantes de governo convidados para participar dos debates. Da América Latina deverão comparecer também os presidentes Carlos Menem, da Argentina, e Ernesto Zedillo, do México. O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Renato Ruggiero, e o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, são alguns dos dirigentes de organismos multilaterais convidados. Ao lado de ministros de Finanças e de empresários de todo o mundo, deverão envolver-se em discussões a respeito de como revitalizar e reorientar as instituições globais.
Grande parte dos debates deverá centrar-se nos desafios criados pela instabilidade financeira mundial. O subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, o principal executivo do banco Salomon Brothers, Deryck C. Maughan, e o vice-ministro de Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Eisuke Sakakibara, vão discutir a volatilidade da economia global.
O presidente Fernando Henrique poderá retomar um de seus temas prediletos, a regulação dos mercados financeiros. Está prevista sua participação, ao lado do megaespeculador George Soros, também defensor da regulação das operações financeiras internacionais, em mesa redonda sobre como complementar a economia de mercado. A prosperidade global de anos recentes é amplamente atribuída à aceitação quase universal dos princípios do livre mercado, assinalam os autores do programa. No entanto, prosseguem, os mercados, deixados a si mesmos, provavelmente serão incapazes de produzir o mundo em que muitos de nós gostariam de viver.
A complementação da economia de mercado será examinada em várias mesas redondas e conferências dedicadas às chamadas questões sociais. Está proposta no temário uma ampla reflexão sobre o papel do governo e as responsabilidades coletivas.
A parte dedicada a artes, cultura e preocupações partilhadas cobrirá assuntos como novos modelos para a universidade, valores humanos para o século 21, comparações entre a arte ocidental e a oriental, direitos humanos e a importância da história. O sociólogo americano Amitai Etzioni, o violinista Yehudi Menuhin, o economista e filósofo Amartya Sen, professor de Harvard, e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, estão entre os participantes mais conhecidos. O escritor Paulo Coelho aparece quatro vezes no programa, num debate intitulada E se os artistas governassem o mundo?.





