Mal o comércio retirou ovos e bombons de Páscoa das prateleiras e já estava pronto para mais uma data comemorativa: o Dia das Mães, neste domingo, 13. Esta é a segunda melhor data do ano para o comércio varejista, uma espécie de Natal do primeiro semestre. ‘‘Todas essas datas são essenciais para a sobrevivência do comércio’’, diz o gerente das Lojas Riachuelo, em Londrina, José Sampaio de Andrade, apoiado pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa: ‘‘Para o varejo, as datas comemorativas são muito importantes porque criam um clima especial de consumo que acaba chegando a todos os segmentos’’.
O pequeno comércio também aguarda ansioso pelas datas especiais. A proprietária da Acácia Floricultura e Cestas Matinais, Luciene Cristina Lombardi, diz que nessas ocasiões chega a vender 300 cestas. ‘‘O Dia das Mães ganha disparado, seguido do Dias dos Namorados e Dia dos Pais. Sem dúvida, essas datas são importantes para nós.’’
Com a ressaca do ‘boom’ de vendas do Natal, o ano quase sempre começa fraco para o comércio. Para atrair consumidores, já se convencionou que janeiro é mês de liquidações. ‘‘Também é um mês bom para venda de roupas de praia, cama, mesa e banho’’, diz o gerente da Riachuelo. Fevereiro e março são, segundo o lojista, meses de apertar o cinto para não fechar no vermelho. Mas depois é hora de aproveitar as oportunidades criadas pelas datas comemorativas e tirar o atraso da ‘‘entressafra’’.
Aberto pela Páscoa, o calendário é farto o ano todo. Mas no início do ano não tem o que se compara ao Dia das Mães, a segunda melhor data para o comércio, perdendo apenas para as vendas de Natal. Na primeira semana de maio, os comerciantes já notam a reação. ‘‘Na semana que antecede a data, as vendas levantam de forma surpreendente e explodem na véspera, com movimento que representa quatro dias normais’’. Segundo Andrade, há um ‘empate técnico’ entre as vendas do Dia das Mães e as do Natal.
E as datas especiais vão se sucedendo. Em junho, vem o Dia dos Namorados. É hora das lojas que trabalham com lingerie – o forte do período – comemorarem. Mas o comércio de relógios, camisas, sapatos, perfumes, jóias e flores também tem vez. Julho é um mês mais devagar em vendas, mas aí a redenção do varejo muitas vezes é o clima. Se o tempo ajudar e o inverno for rigoroso, como ocorreu no ano passado, as prateleiras ficam vazias.
Os últimos três meses do ano são o que os comerciantes chamam de ‘‘trimestre de ouro’’. Em outubro, o Dia das Crianças responde por vendas expressivas. Além disso, alguns consumidores mais precavidos começam a comprar os presentes de Natal com antecedência.
O números de acessos aos serviços de consulta ao crédito mostram que dezembro é mesmo um mês imbatível. Enquanto a média mensal de procura pelo SCPC em Londrina gira em torno de 67.630, em dezembro passa para 99.480. Com relação às consultas de cheques, a média mensal de janeiro a novembro de 2000 foi de 35.144. Em dezembro, saltou para 50.149, segundo a Associação Comercial e Industrial de Londrina, que administra o serviço.
George Hiraiwa ressalta o efeito multiplicador que a onda de consumo das datas comemorativas propiciam tanto para o empresariado quanto para os clientes. ‘‘Embora sejam comemorações específicas, como Dia dos Pais, dos Namorados etc, outros setores também se beneficiam porque há uma grande movimentação nos pontos de venda’’, comenta.
Hiraiwa destaca que, de uns tempos para cá, vem observando uma dinâmica diferente dos varejistas para aproveitarem melhor as datas comemorativas. ‘‘Na Páscoa observei que empresas de refrigerantes e de cervejas fizeram comerciais de seus produtos relacionando-os à data, aos ovos de Páscoa. Vimos também lojas de sapato vendendo chocolate e um movimento organizado dos criadores de tilápia para colocar seus produtos no mercado. Isso é altamente positivo’’, avalia.

mockup