São Paulo - A Daspu, marca criada pelas prostitutas da ONG Davida, se prepara para lançar uma coleção de lingerie em Paris, na França. As peças femininas serão lançadas em janeiro, no Rio, em parceria com a ONG Moda Fusion. A ONG Davida informou que a Galeria Lafayette, de Paris, já manifestou interesse pelas peças brasileiras, especialmente por lingeries. Com o lançamento da coleção, a marca brasileira vai poder expor na galeria e exportar para a Europa.
O objetivo é ampliar a oferta de produtos produzidos pela ONG. A Daspu já vendeu mais de 20 mil peças, principalmente camisetas, e tem em São Paulo o seu maior mercado. A marca já expôs outras peças na capital francesa. Atualmente, além da loja na sede da ONG, no Rio, a Daspu vende seu produtos em duas lojas e na Bienal de São Paulo, até 17 de dezembro, e em lojas em Niterói (RJ) e Salvador (BA).
A Daspu foi formada por prostitutas da ONG Davida, do Rio de Janeiro, no final de 2005. A grife se tornou conhecida ao entrar numa polêmica com a Daslu, o maior centro de luxo do país - envolvida recentemente em escândalo fiscal. No embate com a butique de luxo, era exigido que a Daspu mudasse de nome. Segundo a Daslu, havia ''deboche, visando denegrir a imagem da loja''. Após a polêmica, os advogados da Daslu decidiram não ir à Justiça, e a grife manteve a marca.
Coordenadora da Davida, a escritora e prostituta aposentada Gabriela Leite responde atualmente pela Daspu. Gabriela fundou a ONG em 1992 como forma de organizar as prostitutas contra o preconceito e na luta por bandeiras da categoria, como a prevenção à Aids e a doenças sexualmente transmissíveis, além do reconhecimento da prostituição como profissão legal.

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