Dando a volta por cima
A inflação estava nas alturas. O dólar disparava. O governo preparava mais um plano econômico. Este era o cenário de 1993, quando a Aesa viveu seu pior momento. ''Foi um conjunto de fatores terríveis que nos levou a pedir concordata'', lembra o diretor industrial, Klaus Tkotz.
Apesar do momento sombrio, os diretores garantem que nunca pensaram que aconteceria o pior. ''Sempre tivemos a certeza de que conseguiríamos sair daquela situação'', conta a diretora administrativa, Viktoria Tkotz.
Eles dizem que a decisão pela concordata foi tranquila. ''Era um mecanismo para a gente consertar o que não estava em ordem, achar novos modos de trabalhar, de nos posicionarmos no mercado'', afirma Klaus.
De acordo com ele, é comum as pessoas asssociarem concordata com fraude ou golpe. ''Nós tínhamos uma situação financeira extremamente crítica e achamos por bem utilizar este recurso para não irmos à falência'', ressalta.
A empresa credita aos funcionários o fato de ter conseguido sair do processo de concordata dois meses antes do prazo legal. ''Fizemos uma reunião. Abrimos o jogo e dissemos que não tínhamos o direito de exigir de ninguém que encarasse uma situação daquela, que as pessoas ficassem à vontade para sair da empresa'', lembra Viktoria.
De acordo com ela, nenhum funcionário abandonou o barco no momento difícil ''Todo mundo lutou junto.'' Os fornecedores, que passaram a deixar matéria-prima em consignação, também foram importantes para reerguer a empresa, ressalta a diretora. (N.B.)





