O empresário Alberto Dalcanale Neto, ex-presidente do Banco Araucária, afirmou ontem que foi uma decisão ‘‘arbitrária’’ do Banco Central a liquidação extrajudicial da instituição financeira. Segundo Dalcanale, o banco tinha passado por uma inspeção do Banco Central em dezembro, que concluiu ser necessário modificações no Araucária. O banco teria até 15 de abril para apresentar um plano de ajuste que recompusesse o capital.
‘‘O prazo ainda não tinha vencido para o plano de capitalização. Depois de apresentar o plano teríamos mais 180 dias para executá-lo’’, disse. Dalcanale passou o dia de ontem com seus advogados estudando medidas jurídicas que pretende tomar para tentar reverter a intervenção. No início da noite, ele atendeu a Folha.
Segundo Dalcanale, na segunda-feira o Araucária descobriu que iria ter um déficit de R$ 1,7 milhão para fechar o caixa de terça-feira. ‘‘Entramos em contato com o Banco Central pedindo o redesconto. Seria a primeira vez na história do banco’’, lamentou. O BC negou o provisionamento e provocou a liquidação.
Dalcanale afirmou ainda que não procedem os números divulgados pelo Banco Central e pelo interventor de que o banco estaria com um desencaixe de R$ 300 milhões. ‘‘Isso é absurdo. Basta olhar o balanço do banco.’’
O empresário não tem mais qualquer interferência na administração do Araucária, que agora fica a cargo do interventor Rui Ferreira da Costa. Dalcanale e os demais sócios do banco estão com os bens indisponíveis. Esse patrimônio servirá para quitar as dívidas.
O interventor do Araucária, Rui Ferreira da Costa, cogitava reabrir hoje as agências. Mas isso ainda não estava definido até o início da noite de ontem. Somente as pessoas que tinham aplicações até R$ 20 mil poderão fazer o saque no mesmo dia, pois o pagamento está assegurado pelo Fundo Garantidor de Crédito. Acima desta quantia, os clientes só conseguirão o dinheiro se entrarem na Justiça e se habilitarem para a massa falida, o que poderá demorar anos.
A equipe nomeada pelo Banco Central passou o dia analisando a documentação encontrada para tomar ciência da situação. Segundo o preposto do interventor, Celso Roberto Heitzweber, os telefones não pararam de tocar desde o primeiro dia das mudanças.
O Araucária se caracteriza como um banco de investidores da classe média que possuem aplicações em fundos. ‘‘Não é bóia-fria que tem conta CC-5’’, brincou Heitzweber, ao fazer uma referência a quantidade de contas que só podem ser abertas por estrangeiros que querem enviar dinheiro a seus países de origem. O Araucária é investigado pelo envio de R$ 2,3 bilhões ao exterior pelas CC-5. A suspeita do Ministério Público Federal é de que haveria lavagem de dinheiro.
Dalcanale nega irregularidades. ‘‘Há um inquérito na Justiça de Foz do Iguaçu. As duas denúncias contra o banco foram rejeitadas pelo juiz do Foz’’, defendeu-se.

mockup