Dados sobre o PIB mostram recuperação econômica
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A reação da economia e o ajuste externo elevaram as taxas de investimento e de poupança do País. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que a taxa de investimento (investimentos sobre o Produto Interno Bruto), puxada pela recuperação econômica, chegou a 19,3% no primeiro trimestre, o melhor resultado em dois anos e meio. No terceiro trimestre de 2001, o porcentual era de 19,6%.
A taxa de poupança bruta (poupança sobre o PIB) subiu para 23,4%, a maior desde o início do Plano Real, embalada pelo superávit na balança de bens e serviços, que aumentou a renda disponível no País em níveis superiores ao crescimento do consumo. O maior porcentual anterior havia sido registrado no terceiro trimestre de 1994 (27,3%).
O gerente de Contas Nacionais do IBGE, Carlos Sobral, disse que a elevação do investimento ''é significativa porque, quanto mais investimento, mais crescimento''. Segundo ele, o aumento da taxa reflete a recuperação da economia. ''Para o País crescer, é preciso investir. Essa taxa já é expressiva por causa do aumento, mas é fundamental que ela continue aumentando para que o Brasil tenha um crescimento sustentável, que não seja uma bolha'', disse.
Sobral afirmou que o importante é que há uma tendência de crescimento da taxa de investimento desde o terceiro trimestre do ano passado. Segundo ele, os 3,5% de crescimento do PIB previstos para este ano vão exigir uma taxa de investimento ainda maior no acumulado do ano, ''mas o importante é que a tendência da taxa é de subir''. Para Sobral, uma taxa que seria ''bastante razoável'' para um crescimento contínuo e sustentado no País estaria em torno de 25% a 26%. Como exemplo de taxas mais elevadas, ele citou a China, país no qual a taxa de investimento chegou a 47% no ano passado. ''Mas são situações diferentes. Para o Brasil, 25% a 26% serão bem razoáveis'', disse.
Ajuste - O IBGE divulgou também que o Brasil alcançou no primeiro trimestre uma capacidade de financiamento (o que sobra entre as captações feitas pelo País e os envios ao exterior - ou o que País tem para emprestar ao mundo) de R$ 5,2 bilhões, um volume dez vezes maior do que o registrado no primeiro trimestre do ano passado (R$ 500 milhões). Sobral explicou que a geração dessa capacidade também é resultado do ajuste externo do País.
Segundo ele, o Brasil só reverteu o quadro de necessidade de financiamento no terceiro trimestre de 2002, impulsionado pelo crescimento das exportações de bens e serviços. Desde então, o superávit na balança de bens e serviços tem elevado continuamente a capacidade de financiamento do Brasil. No primeiro trimestre, segundo o IBGE, a balança de bens e serviços ficou superavitária em R$ 15,5 bilhões.


