Dados oficiais sobre demissões saem em fevereiro
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio - As demissões provocadas pela crise financeira internacional deverão chegar à taxa oficial de desemprego somente nos dados de janeiro, que serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em fevereiro. O levantamento limita-se às seis principais regiões metropolitanas do País, mas atinge 25% dos trabalhadores brasileiros, segundo explica o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo. A partir de 2011, a pesquisa terá abrangência nacional e a divulgação, hoje mensal, ocorrerá trimestralmente a partir de 2013.
Segundo Azeredo, ainda que a pesquisa não enfoque algumas regiões onde houve demissões maciças, como Itabira (MG), que concentrou boa parte das 1.300 demissões da Vale, a pesquisa do IBGE é capaz de espelhar os efeitos da crise no mercado de trabalho. ''Isso ficou provado em 2003, quando a recessão bateu forte na pesquisa'', lembrou.
As taxas de desemprego em 2003, primeiro ano no governo Lula, quando a economia amargava a ressaca da crise de confiança provocada pelas eleições de 2002, tiveram altas recordes na série da pesquisa iniciada em 2001.
A PME não inclui no cálculo as férias coletivas determinadas por muitas empresas a partir de outubro do ano passado, mas apenas contratações e demissões. Além disso, os informantes são exclusivamente as pessoas entrevistadas pelo instituto e não há dados fornecidos por empresas.
A pesquisa do IBGE foi criada em 1981 e tinha como objetivo inicial investigar o mercado de trabalho nas nove regiões metropolitanas do País mas, por problemas de falta de recursos, acabou se restringindo a seis regiões.
Azeredo admite que a pesquisa nacional que será realizada daqui a dois anos será mais completa, mas garante que o levantamento atual espelha a tendência de todo o País. O argumento é que as regiões metropolitanas pesquisadas - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre - são muito representativas. No caso do mercado paulista, o maior do País, estão incluídas cidades como Osasco, Santo André e São Bernardo, polos industriais importantes. Em Belo Horizonte, a pesquisa investiga também o município de Betim, onde está instalada a montadora Fiat.
Azeredo explica que a mudança metodológica que ocorreu na pesquisa em 2001 seguiu as recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT). As transformações mais importantes consistiram na mudança do questionário efetuado pelos pesquisadores e a implantação do primeiro sistema eletrônico de coleta de informações da América Latina.


