Dados indicam retomada econômica, diz Berzoini
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Vânia Cristino<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse ontem que o aumento da taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reflete o aquecimento da economia, quando mais pessoas voltam ao mercado de trabalho em busca de emprego. De acordo com o ministro o segundo semestre vai apresentar condições mais favoráveis para o mercado de trabalho, com queda nos índices que medem o desemprego no País. Pelos dados do IBGE a taxa de desemprego passou de 12,8% em março para 13,1% no mês de abril.
O ministro deu estas declarações logo após participar de audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, onde discutiu a redução da jornada de trabalho como um dos instrumentos para a criação de emprego. Berzoini argumentou que o mercado de trabalho vem criando empregos e que o próprio IBGE registrou 130 mil novas ocupações. O que ocorreu, segundo o ministro, para a taxa de desemprego crescer, foi o aumento do número de pessoas em busca de trabalho. Foram mais 217 mil no mês.
Berzoini admitiu que a compressão da renda familiar também tem um efeito perverso sobre o mercado de trabalho. Mais pessoas de uma mesma família procuram emprego para compensar a queda na renda. Esse efeito, aliado ao número crescente de pessoas que são incentivadas a procurar ativamente trabalho logo no início da retomada do crescimento da economia, provoca esse efeito estatístico.
Os dados do governo, disse, comprovam que o mercado de trabalho vem sendo capaz de criar empregos. O Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged) registrou, nos primeiros quatro meses do ano, a criação de 534 mil empregos com carteira assinada.
Os argumentos de Berzoini foram repetidos pelo presidente da CUT, Luiz Marinho. ''Não foi o desemprego que aumentou. Foi a estatística do desemprego'', disse Marinho. Para o presidente da central sindical as pessoas que estavam no desalento, ou seja, que já tinham desistido de procurar trabalho, voltaram ao mercado em busca de emprego. ''Daí o aumento da taxa'', observou. Embora também espere uma queda do índice de desemprego no segundo semestre do ano, Marinho disse que o drama do desemprego só terá solução no curto prazo se o governo implementar as contratações emergenciais nos grandes centros urbanos.


