Rio de Janeiro - A produção industrial cresceu 2,1% em março em relação a fevereiro, na primeira expansão registrada de um mês contra o anterior, depois de três resultados consecutivos de queda. O aumento foi de 11,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado, no melhor resultado desse tipo desde janeiro de 2001. ''No mínimo, o movimento de retração (da indústria) no início do ano foi rompido'', disse o coordenador de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, ao divulgar ontem os principais resultados da pesquisa.
''Com essa pesquisa e o aumento das vendas (3,45% em março) divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), acabou a dúvida. Há recuperação'', disse o economista Estevão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), referindo-se à nota do Ipea de 22 de abril, segundo a qual os indicadores até aquela data não permitiam concluir se a atividade econômica prosseguia em recuperação ou tinha estagnado.
A pesquisa do IBGE mostrou que o melhor desempenho da indústria foi generalizado. Atingiu 20 de 27 setores e 54 de 76 subsetores pesquisados pelo IBGE no trimestre em relação aos primeiros três meses de 2003. Com os resultados de março, o primeiro trimestre fechou com ampliação de 5,8% na produção da indústria sobre igual período do ano passado, embora com redução de 1,2% comparado ao último trimestre de 2004, segundo os dados do IBGE.
''Basta que a indústria mantenha esse crescimento de 5,8% durante o ano para que a economia cresça de 3,5% a 4% em 2004'', observou o sócio da Tendências, Edward Amadeo. Ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro do Trabalho, Amadeo acha até que o resultado influi para que o sucesso da economia contribua para diminuir o ''fogo amigo'' do governo contra a política econômica. ''Acho que o número de 11,9% em março está exagerado por mais dias úteis e base menor, mas este de 5,8% no trimestre é uma evidência muito forte de recuperação'', disse Amadeo.

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