Dados de janeiro apontam alta mais forte dos juros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Eduardo Cucolo<br>Folhapress 
Brasília - Dados parciais do Banco Central para o mês de janeiro (até o dia 12) mostram uma alta mais expressiva da taxa média de juros, para 38% ao ano, sendo 29,4% para empresas e 45,1% para o consumidor. A alta se deve à elevação do ''spread'' bancário (a diferença entre o custo de captação e a taxa do empréstimo). Em dezembro, a taxa média de juros foi de 35%.
A média de concessões cai 8%, sendo 3,5% na pessoa física e 11,3% na jurídica. O volume total cresceu 0,3%, com alta de 1% para consumidores e queda de 0,3% para empresas.
''Em dezembro, tivemos certo arrefecimento em relação ao que se observou ao longo do ano e isso é impacto das medidas adotadas. As taxas de juros se elevaram bastante e dados parciais de janeiro mostram continuidade nessa elevação'', disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Segundo Altamir, a perspectiva agora é de encurtamento de prazos, com elevação de juros e crédito crescendo a taxas mais acomodadas. Em relação à inadimplência, o BC diz que o indicador deve parar de cair no curto prazo, mas não deve subir.
Além de reduzir prazos para o crédito ao consumo, em dezembro, o BC elevou também o recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo e exigibilidade adicional. No mês passado, o recolhimento nesses dois tipos de depósitos cresceu R$ 63 bilhões, pouco acima dos R$ 61 bilhões previstos pelo BC. Parte desse aumento, no entanto, se deve à sazonalidade do período, segundo a instituição.
Inadimplência e concessão
O Banco Central verificou que a taxa de inadimplência da pessoa física caiu para 5,7% em dezembro, a menor desde junho de 2001, quando estava em 5,5%. Para as empresas, a taxa estabilizou-se em 3,6%. O nível de atrasos, considerando também empréstimos com subsídio, como os do BNDES, ficou em 3,2%, menor da série histórica.
Houve queda de 1,6% nas concessões totais de novos empréstimos e de 14,4% na média diária em relação a novembro. A queda se deu em todas as linhas pesquisas pelo BC.
Mas no acumulado deste ano os valores continuam históricos. As operações de crédito para consumidores e empresas cresceram 20,5% em 2010, acima dos 15,2% verificados um ano antes, mas abaixo dos 31,1% registrados em 2008.
Com isso, o total de empréstimos chegou ao valor recorde de R$ 1,7 trilhão, o que corresponde a 46,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Dois anos antes, estava em 40,5% do PIB.
Mais uma vez, o destaque foram as operações com juros subsidiados, que avançaram 27,5%. Os empréstimos do BNDES, por exemplo, cresceram 25,6%. O crédito habitacional com recursos do FGTS e poupança avançou 50,4%.
Já o crédito sem subsídio cresceu 17,1%, sendo 18,8% na pessoa física e 15,4% na jurídica.


