Dados da Pnad têm erros, diz IBGE
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Das agências 
Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na quinta-feira (19), continha erros. Segundo o instituto, erros no cálculo da pesquisa alteraram o índice de Gini, medida da desigualdade. O Gini do trabalho, que mensura exclusivamente a distribuição dos rendimentos do trabalho, passou de 0,496 em 2012 para 0,495 no ano passado, o que indica uma estagnação, segundo o IBGE.
Antes, o instituto havia informado que o indicador tinha passado para 0,498.
Também mudou a estimativa da renda do trabalho, que passou de uma expansão de 5,7%, divulgada na quinta-feira, para uma alta menor, de 3,8%. A renda foi reestimada de R$ 1.681 para R$ 1.651. Já a taxa de desemprego não sofreu alteração e ficou em 6,5% no ano passado - acima do 6,1% de 2012.
O MOTIVO
De acordo com o IBGE, os problemas nos dados da Pnad ocorreram porque a Coordenação de População enviou projeções incorretas de alguns Estados, nos que há mais de uma região metropolitana. O problema afetou Ceará, Pernambuco, São Paulo, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Pnad divulga resultados para cada unidade federativa e para nove regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre).
Nas unidades federativas dessas nove regiões metropolitanas, a calibração dos dados é feita considerando a projeção de população para a região metropolitana da capital e para o restante do Estado, separadamente. Nos Estados afetados pelo erro existem outras regiões metropolitanas, além das localizadas nas capitais.
Segundo comunicado divulgado no site do IBGE, no processo de expansão da amostra da pesquisa foi utilizada, equivocadamente, a projeção de população de todas as áreas metropolitanas em vez da projeção de população da região metropolitana na qual está inserida a capital.
Investigação
A Casa Civil deve criar uma comissão para investigar o erro assumido ontem pelo IBGE, informou uma fonte. Os técnicos do instituto estavam listando ontem uma série de falhas e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, pasta à qual o IBGE é vinculado, já convocou coletiva.
Os erros de metodologia revelados pelo IBGE ocorrem apenas cinco meses depois de outro erro grave em outro instituto de pesquisas oficial, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em abril, ao divulgar os resultados de uma pesquisa sobre violência contra a mulher, o Ipea informou inicialmente que a maioria dos entrevistados ouvidos considerava que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Oito dias depois, técnicos do Ipea vieram a público para dizer que o resultado, que chocou a opinião pública, estava errado. O resultado havia sido o inverso.


