Após três meses da data de publicação de reportagem na Folha que denunciava os preços abusivos praticados pelas companhias aéreas que atuam no Aeroporto de Londrina, lideranças políticas e representantes da cidade foram até a sede do Departamento de Aviação Civil (DAC), no Rio de Janeiro, para discutir o assunto com o brigadeiro Jorge Godinho Barreto Neri. Em pauta, a diferença de preços das passagens aéreas nos vôos de Londrina para Curitiba e São Paulo em comparação com as linhas de Maringá - que chegam a ser até 70% inferiores - a a possiblidade da volta da atuação da Gol na cidade.
A reunião aconteceu ontem pela manhã e Londrina foi representada pela diretora executiva do Londrina Convention & Visitors Bureau, Maitê Uhlmann, e o deputado federal Alex Canziani (PTB). É a primeira vez que representantes locais vão até o DAC para discutir a situação do Aeroporto da cidade. A reunião, segundo Maitê, estava agendada há dez dias.
De acordo com o deputado, o brigadeiro assumiu o compromisso de estudar a viabilidade do retorno da Gol para Londrina. Senso comum entre todos os interessados no barateamento dos preços das passagens, a volta da companhia poderia favorecer o público do aeroporto em Londrina. Para os estudos, foi apresentada uma planilha com as tarifas praticadas pelas companhias aéreas na cidade,
Sobre a volta da Gol para Londrina, Maitê Uhlmann foi enfática ao se referir à justificativa do DAC para a suspensão dos serviços da companhia, que atuou entre os dias 19 e 27 de março deste ano. ''Dizer que era necessário reduzir o tráfego no aeroporto de Congonhas parece desculpa'', explicou, lembrando que, há alguns anos, Londrina chegou a ter até 40 vôos diários para a capital paulista, hoje reduzidos a apenas 12. ''Se o tempo de vôo diminuiu, não tem como não haver espaço''.
No período em que atuou na cidade, a Gol tinha apenas uma autorização verbal para a realização dos vôos. Isso teria forçado a empresa a trabalhar com esquema de frete. A esperança de Maitê é de que, com a volta da companhia, os preços fiquem mais acessíveis. ''Continuar com esse monopólio é que não dá'', afirmou a diretora.
O brigadeiro Jorge Neri assumiu a responsabilidade de dar uma resposta até o dia 4 de novembro, segundo o deputado Canziani. ''Desse jeito, a promoção de eventos na cidade e os empresários de Londrina ficam muito prejudicados'', disse. Tanto Maitê como o deputado esperam que, se a volta da Gol não for viabilizada, pelo menos os preços sejam reduzidos. Ainda segundo o deputado, em conversa com representates da Gol, foi-lhe garantido que a companhia pode voltar a trabalhar na cidade no máximo 24 horas após a emissão da autorização do DAC.
A rigor, somente a falta de concorrência justifica as tarifas praticadas pelas companhias em Londrina. O DAC abriu mão do controle de preços das passagens desde 2001. Hoje, somente o Conselho Adiministrativo de Defesa Econômica (Cade), fiscaliza as tarifas, interferindo somente em casos extremos. O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) já encaminhou um pedido de investigação de preços ao Cade, sem resultados até agora.

mockup