Cybercriminosos migram para programas de fidelização
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terça-feira, 21 de junho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
São Paulo - Relatório apresentado ontem por empresa de monitoramento de fraudes nas instituições financeiras mostrou que os cybercriminosos já estão de olho nas vantagens financeiras oferecidas pelos programas de fidelização de bancos e estebelecimentos. Após obterem as credenciais de usuários de programas de pontos, os criminosos comercializam os prêmios na internet por valores abaixo do mercado.
"A gente percebeu que tinha uma série de fraudadores migrando da fraude de conta corrente de banco e começando a atacar outros nichos, como programas de fidelização em geral, sempre ofertando esses pagamentos por um percentual do valor", explica Thiago Bordini, diretor de Cybersegurança do grupo Newspace.
No caso de postos de combustível, por exemplo, o cybercriminoso revende créditos de terceiros cobrando para isso metade do preço. Esses criminosos também vendem passagens aéreas adquiridas em nome das vítimas por um valor mais atrativo, cerca de 60% a 70% menor. Ou ainda, adquirem produtos do varejo por meio dos pontos acumulados por terceiros para vendê-los em sites de leilão a preços menores.
As credenciais dos usuários de programas de fidelização são comumente obtidas por meio de engenharia social, diz Bordini o criminoso manda um e-mail ao usuário se passando pela empresa do programa pedindo seus dados cadastrais, por exemplo. A comercialização das "vantagens" se dá de maneira aberta, até mesmo em redes sociais e fóruns.
Novos métodos
Na visão do diretor, a quantidade de pessoas utilizando programas de fidelização e o fato de já haver conscientização muito forte em instituições financeiras sobre fraudes mais "tradicionais" em bancos levaram os cybercriminosos a buscarem novos meios de agir. "A falha não está no programa de fidelização. Todas elas têm mecanismos de segurança, são confiáveis. A falha está em processos, e no fraudador em si. Ele vai tentar tirar vantagem de algum jeito", comenta.
Para Bordini, é difícil evitar que a fraude ocorra pela primeira vez, mas as empresas podem trabalhar para identificar a ocorrência mais rapidamente e evitar que ela aconteça mais vezes, atuando com a área de inteligência cibernética e a área de gestão de riscos das empresas. "Essas duas áreas precisam se conversar para entender o modus operandi dessas fraudes. Não adianta eliminar uma única (fraude), tem que eliminar a forma como ela é feita." A Newspace é detentora de uma solução que identifica fraudes em transações e notifica a empresa em cinco a dez minutos.
TRÁFEGO DE INFORMAÇÕES
Paulo de Castro, vice-presidente comercial da SAP Brasil, lembra que, ainda que o uso de Big Data (análise de dados estruturados e não-estruturados) seja custoso, a detecção de fraudes pode se beneficiar dessa tecnologia, já que a cada dia cresce exponencialmente o tráfego de informações. "Estamos falando de cada vez mais conseguir ligar dados estruturados com não estruturados. E o Big Data entra como facilitador de segurança corporativa."
O relatório foi apresentado em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que discute tecnologias para as instituições financeiras. O evento termina amanhã em São Paulo. Em entrevista à FOLHA, o diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban, Gustavo Fosse, ressaltou que os bancos investem em média R$ 2 bilhões anualmente na segurança dos seus clientes. Essa, segundo ele, é a chave para o combate às fraudes. "O que os bancos fazem, falando em fraude em TI (Tecnologia da Informação), é investimento. Também pesquisa, análise do comportamento, e o próprio Big Data ajudam a gente em relação à fraude. Mas a informação que temos é que hoje a questão de fraude está muito concentrada na engenharia social, e o que estamos buscando é orientar os nossos clientes."
A jornalista viajou a São Paulo a convite da SAP Brasil


