CWB diz que não pode ressarcir clientes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Fotos: Gilson AbreuO juiz Evandro Correia mostra papéis ao advogado Marcos Luz, da CWBOs clientes que foram ontem à agência e operadora de viagens CWB Turismo Ltda ouviram do advogado da empresa Marcos Luz que terão de esperar pelo menos dez dias para ter os casos solucionados e mesmo assim não será devolvido dinheiro a ninguém. Devolução do dinheiro puro e simples não é possível, porque a empresa tem dificuldades financeiras, revelou Luz.
A agência reabriu às 14 horas, duas horas após a previsão inicial, para atender apenas as pessoas que tiveram problemas em seus pacotes de viagens. Alguns clientes se irritaram e saíram dizendo-se dispostos a recorrer à Justiça contra a CWB.
A CWB estava fechada desde o dia 3 de fevereiro. Por causa de dívidas, os donos da agência decidiram parar de operar no mercado de turismo, sem prestar esclarecimento ao público. Dezenas de turistas ficaram sem receber passagens já pagas e alguns tiveram problemas nos locais de viagem. Fechamos de um dia para outro porque tínhamos uma situação de emergência, afirmou Luz. Ele disse que se a loja não fosse fechada haveria uma despesa extra de R$ 22 mil com a folha de pagamento dos funcionários. Ele declarou ainda que a empresa quebrou por causa de cheques frios recebidos. Ao todo seriam R$ 196 mil de prejuízo.
Edilene Montresol e as filhas: família ficou sem passagens para a Disney
Luz tentou manter uma relação amigável com os clientes que foram exigir ressarcimento imediato de despesas feitas com pacotes turísticos não honrados pela CWB. Os clientes também tentaram ser cordiais, mas foi impossível evitar discussões diante das justificativas apresentadas pelo advogado. É necessário formalizar por escrito a reclamação de vocês. Aí, vamos analisar caso a caso, explicava o advogado, pedindo para que todos entendessem o momento difícil da empresa.
Estou tentando ser amigável, mas quero ser ressarcido, exigia impaciente o analista de sistemas Orlando Montresol. Ele e a mulher Edilene Montresol compraram quatro pacotes para a Disneyworld, em Orlando (EUA). A agência fechou no dia em que ele iria pegar as passagens. Montresol conseguiu sustar os quatro cheques pré-datados de R$ 1,6 mil cada, que pagariam a viagem. Mas perdeu R$ 500 referentes ao aluguel de um carro. Ao deixar a agência, afirmou que não tem esperança de receber o dinheiro de volta.
Outro cliente que quase perdeu a paciência com o advogado da CWB foi o juiz Evandro Correia. Após ouvir de Marcos Luz que a agência era idônea, já que tinha 12 anos de atuação no mercado, ele retrucou: A família Collor está há 60 anos no mercado e isso não quer dizer nada. Correia teve nove cheques descontados antes do prazo previsto. Ele precisou pagar juro no cheque especial.
Na primeira hora da reabertura da CWB, seis clientes apareceram para reclamar o dinheiro perdido. Todos foram orientados a retornar mais tarde com um documento por escrito contento todos os detalhes dos problemas enfrentados. No caso dos pré-datados descontados antecipadamente, Marcos Luz disse que a culpa foi dos bancos. Os bancos quebraram um contrato com a gente e com os nossos clientes, justificou Luz. Os clientes foram orientados a irem reclamar para os bancos.


